A procura da culpa, a tensão das palavras

As tensões políticas são reveladoras. Aparecem com fatos surpreendentes. Ficamos sem saber por onde caminha a sensatez. Não há negar que todos temos uma concepção de mundo. Alguns são ambíguos ao extremo, outros lutam pela transparência. Não vamos querer uma sociedade de iguais em todos os sentidos. Seria a negação da história. No entanto, forma-se um tribunal de acusações. Há quem opte por um fascismo, outros disfarçam seus ódios, buscando mostrar um amor supremo pela pátria amada. O  desfile das fantasias assanha um carnaval fora de época com patrocinadores poderosos.

Apesar da agitação, das opiniões múltiplas, a sociedade não sai de mesmices. Escolheram Dilma para ser a culpada de todos os erros. Ela é seguida até nas viagens. Aguenta um bombardeio da mídia. Não sei como consegue acordar.Não renuncia, fala do golpe, está atenta às manobras. Dilma teve desacertos no seu governo. Tropeçou em várias áreas. É interessante que muitos excluem Cunha das acusações e insistem na incompetência da presidenta. É estranho, confuso, o pecado capital. O machismo não se foi e os sentimentos se obscurecem. Será que existem permanências malditas?

Construir estratégia para melhorar a economia, desfazer os estragos da política, renovar diálogos fazem parte de uma reforma necessária para o Brasil. Deixamos a profundidade de lado e tomamos, muitas vezes, atitudes de fé, esquecendo a crítica. O analfabetismo político ganha corpo, mesmo no meio daqueles que defendem teorias e salientam seus saberes acadêmicos. Quais as leis que valem? Por que tantas interpretações? Existem pecados e inocências? Estão com medo que as prisões se ampliem? A justiça é cega? Poderíamos estar num deserto, sem perspectivas, paralisados, com fome e sede.

Há, no entanto, reações. Se alguns negociam, recebem propinas, outros defendem a cidadania. É espaço de misturas. Estamos no fim de alguns valores, observando traços de violência que chocam e ressaltam os benefícios da tortura. Sou otimista. Quando os radicalismos se acendem é sinal que algo surgirá. Ninguém passa impune pela história. Quem ataca a solidariedade não reflete sobre as ações coletivas. Está aprisionado pela falta de afeto. É preciso se contemplar nos espelhos e mudar a relações carcomidas. Os mais tiranos declaram seu amor a Deus e a família. Deus sente que os demônios cuidam de uma rebelião e se lembram da maçã do paraíso.

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