A quietude não é para todos

    

No final de semana, o mundo do futebol se agita. Aquele mundo dos estádios, das torcidas nas ruas, das camisas dos clubes, das expectativas nervosas, assume ruas, bares e conversas soltas. O Brasileirão, nas séries A e B, atravessa regiões. As rivalidades não cessam, pois o jogo chama as controvérsias e esquenta a paixão. Os resultados nem sempre satisfazem, mesmo onde o favoritismo é evidente. Há espaço aberto para decepções inesperadas, ressacas medonhas e reclamações constantes.

O sábado deixou as torcidas do Náutico e do Sport desamparadas. Duas derrotas no momento de disparar na tabela. O Bahia fez a festa em cima dos descuidos do Leão. Armou bem sua estratégia. O Timbu navega na turbulência. Não consegue firmar-se. Gallo suspira diante da falhas primárias de seus jogadores. Foram muitas contratações e nada que vingasse com êxito.

O São Paulo não se encontra. Talvez, esteja partindo para uma refomulação geral. A derrota para o Goiás construiu uma melancolia de rasgar qualquer coração. Se tudo vai mudar, ainda há certo consolo. A frustração acompanha os tricolores acostumados com conquistas.  Já o Santos redimiu-se e goleou o Cruzeiro. O time de Minas não correspondeu, depois de ser apontado como provável campeão. A oscilação marca o Brasileirão. A Ponte Preta não avançou na tabela da série B, perdendo, mais uma vez, em casa. Sinal de que nada está seguro.

A situação está labiríntica para muitos. O Flamengo não se apruma, para o azar de Zico. O Atlético de Minas busca reanimar-se. A passagem de Luxemburgo, pelo seu comando, foi um tiro de misericórdia. O Galo não curtiu as sapiências do tão aclamado e vaidoso professor. Por outro lado, Coritiba e Figueirense seguram suas travessias. Desejam a série A e evitam quedas cruciais.

Fluminense e Corinthians estão na crista da onda. O Timão com mais folga e brilho. Pensa que, no ano de 2010. consolidará feitos inesquecíveis. Seu presidente não cansa de se exaltar. Seu inimigo maior é o tricolor do Morumbi. Muita inveja e descortesia existem na relação dos dois. O Corinthians perdeu, na última rodada, em um jogo sensacional contra o Internacional. Balançou sua sorte, porém sobra vontade para retomar a vitória.

O Fluminense manteve a linha. Venceu o Vitória da Bahia.  Entra num novo embalo e afasta os olhos do grande do azar. Possui um elenco precioso e um técnico acostumado a ser campeão. Resta ter cuidado e conseguir um goleiro mais eficiente. Talvez, isso dê a segurança, traga equilíbrio para não titubear no momento final. O jogo surpreende e resultados se redefinem quando tudo parecia sossegado. Os infortúnios acontecem. Eles descontrolam e mexem com a confiança.

Fica difícil assegurar quem são os favoritos. Mas o bom são essas idas e vindas. Elas estão no âmago do lúdico. Um campeonato decidido, com emoções controladas, torna-se monótono. No futebol, mais do que a vitória, vale o espetáculo. Quem gosta sabe disso. Mesmo que o coração se entristeça com as derrotas, uma partida, com craques com todo fogo, passes e malabarismo articulados, é uma sinfonia inesquecível.

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2 Comments »

 
  • Natália Barros disse:

    O jogo do sábado, SPORT e BAHIA, pareceu-me o duelo de ideias entre o prolixo e o preciso. Embora cheio de graças e frirulas, o SPORT foi disperso e com pouca garra. Precisos e determinados, mesmo sem muito charme,o BAHIA mostrou que melhor que futebol-arte é o futebol-gol.

  • Natália

    O jogo é uma representação da vida.Daí meu grande interesse.Não adianta negar a força do lúdico e do acaso. A racionalidade engana mais do que a magia.
    bjos
    antonio paulo

 

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