A rebeldia tem moradias não parisienses

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Há retornos como dizem os saudosos. Muitos liberais festejam a possibilidade de vencer a chamada esquerda e partir para soltar de vez a economia. Cá está Guedes com sede avassaladora. Mas há contrastes. A Argentina não anda bem e não consegue resolver questões esportivas. Na França, surgem ataques ao governo, choques com a polícia, perplexidade nas análises.

Alguns lembram as rebeliões estudantis, as manifestações nas universidades, os estudantes em ação, outros temem ações desencontradas, extremismos. A heterogeneidade da história não é incomum. Houve escravidão, decretou-se o seu fim, porém a exploração do trabalho humano atua de forma cruel. As farsas são imensas e a hipocrisia se apresenta nas celebrações. Há quem voe no tapete, pensado estar vivendo no tempo dos gênios e das fadas.

A burguesia foi esperta para garantir seu mando político. Espalhou suas ordens pelo mundo. Não teve pudor. Achou os fascistas simpáticos, agitou sua grana, sacudiu bombas. O capitalismo se rearruma e promete se articular com a teologia da prosperidade para firmar novas bases. A história não se congela. Tudo parecia em paz nas ruas de Paris.

Quem, então, movimenta protestos? Por que tanta inquietude? Será que o imaginário do Iluminismo ainda possui sua força? Voltaire ressuscitou? Sartre assume seu fantasma e incomoda os conversadores? São perguntas que a mídia busca responder. As armas estão no  mundo mascarada, no ruído dos celulares. Duvida? Quer o reino eterno?

Existem simplicidades expostas para sufocar certas concepções de mundo. Apagam análises, promovem sensacionalismo, p esfarrapam a política. Muitas figuras pouco sábias se aproveitam para mostrar suas superficialidades. A história não é apenas o agora. Os tempos se entrelaçam. Há pesos e medidas. O mundo se assombra e ver que as cores são infinitas.

Freud observou o desejo de matar, a instabilidade, as afetividades diluídas. Nada como enfrentar a complexidade, mesmo reconhecendo limites. Nietzsche denunciou vazios, Adorno não se enganou com o nazismo. Hannah encorajou quem temia a volta dos totalitarismos. Ouçam as dissonâncias, desenhem marcas que flutuem na poluição dos desenganos.

Portanto, os que se escondem na neutralidade desfazem os momentos de tensão. Não significa que a revolução está no armário. A sociedade se desencontra, porque convive com poderes violentos e fomes que atiçam desigualdades. Não há como achar que tudo será com antes, que o destino dará significado aos mais carentes. Há contradições que não cessam e incompletudes. As ruas insatisfações e desesperos. O projeto de cada um vai costurando suas fantasias.

O homem revoltado de Camus merece escuta. A sociedade se balança com as certezas sendo colocadas em questão. Já disseram que Jair era puro, que Deus assiste à história, que as orações trazem reencarnações insuperáveis. Difícil escrever um projeto que silencie e abafe os ruídos. Não sei a placa que indica a estrada do juízo final. Somos pedras e espantos e não, santos e anjos. É preciso assanhar os sentidos.

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