A ressaca do mundo

Ouve o ruído de quem tem ressentimento e se cansa da alegria,

carregando o corpo como uma pedra angustiada com a lei da gravidade.

Olha as elites soltas, pulando os lixos e abraçando os privilégios,

acusando os tropeços das corrupções, invadindo direitos e criando violências.

Desconfie de quem se declara sempre prejudicado e tem gosto de amargura,

pense que o mundo está além de cada um e se desfaz com tormentas inúteis.

Há quem reclame de tudo e se esconda por detrás de preconceitos,

há quem não suporte se imaginar no desenho do espelho sujo,

apressa-se para não curtir  o riso e riscar a culpa anônima do desprezo coletivo.

Não aprisione o ritmo dos anjos, descondene-se como o vermelho dos pecados,

busque-se na ilha  solitária dos inocentes, cercada pelo  azul desconhecido.

Memorize  a paixão fugidia do seu último beijo apressado

e o desgoverno do desejo que partiu como um pássaro perdido.

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