A rua deserta, casa silenciosa, terra poluída

Quem sabe o final do tempo que rege a história? Já anunciaram profecias, alguns brincam com cartas mágicas, ficam datas na memória. A sociedade se muda, sai do sedentário, busca movimento, estimula contrariedades. De repente, as cidades se alargam, as mercadorias se renovam, as epidemias assustam e as guerras inventam novas armas. Vi alguém passar com uma máscara azul. Ouvi um grito de quem pedia ajuda. O sino tocou, mas o invisível é o mais perigoso. Dá para tatuar tantas crises e fingir que as abstrações são feitas para manter a verdade?

Dentro de casa a conversa roda. Uma televisão ligada, um telefone com ruído estranho, gente dormindo no chão, um gato solto na varanda. Há cansaço e, muitas vezes, uma escassez de movimento. Procuro as fotos para me reencontrar com as pessoas. Contar o número da saudade é um drama. O jornal avisa que existem dez lives. Como assistir? Prefiro fechar os olhos e imaginar um grande labirinto. Quem foi o arquiteto do universo? Já imaginou um paraíso de goiabas? Não haveria pecado original.

Joga-se dominó, as crianças falam e não esquecem da escola. Tanta complexidade e um governo tonto que cospe nas pessoas. Com é. duro querer compreender a história e suas distâncias do passado. Cem anos de solidão é pouco para as metamorfoses diárias. Qual a estrada de pedra que segura as incertezas? Escondo-me atrás do sofá e tento namorar com o futuro. Parece que é desejo de todo mundo. É o deserto ou o abismo? Lá está a estrela que não deixa de piscar para no azul do afeto.

Melhor é não se desesperar. Esperar para recriar o calendário e riscar as datas oficiais. Há minoria privilegiadas e milhões de pessoas com a garganta seca. Quem celebrava o êxito das tecnologias, sente que vale mais as vendas e as trocas. Sei que as ruas se tornam obscuras e uma insegurança especial toca no corpo de quem aposta numa história sem fim. Por isso, se afirma que história se aproxima de múltiplas transfigurações. Apenas, escuto os boatos e as especulações para me distrair da apatia, desertar das tensões e pensar na dança do deus embriagado.

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