A Rússia:o poder e o peso da manipulação

A Revolução de 1917 trouxe uma agitação especial. As ideias socialistas se fortaleceram, lideranças planejaram o fim do capitalismo, a política fervia em plena Guerra Mundial. Muitas esperanças de acabar com a desigualdade e promover a divisão das riquezas, pois o regime do czar sucumbia e o autoritarismo perdia terreno. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas redefinia caminhos, encontrava-se com utopias, firmava os significados das reflexões de Marx. Era um feito, para um mundo que viveria o totalitarismo e as violências de Hitler e Mussolini. Portanto, a modernidade ganhava outras experiências, os caminhos das transgressões respiravam com fôlego.

Essa era uma perspectiva otimista que atiçava os bolcheviques. O governo de Lênin foi curto, houve perseguições radicais aos anarquistas, as disputas pelo poder dividiram antigos aliados. Rosa Luxemburgo escrevia, na época, textos com críticas às decisões que organizavam a Revolução. Exigia, com coragem,  atitudes democráticas, temia a quebra dos ideais e a concentração das ações nas ordens vindas do Partido Comunista. Rosa não prevaleceu. A burocracia se firmou e Stalin centralizou planos, perseguiu adversários, desfez-se de muitos sonhos, de olho na eficácia das reformas econômicas. Manteve-se no poder acompanhando o andar dos totalitarismos. A União Soviética aumentou seu prestígio na política internacional. Os Estados Unidos eram o inimigo destacado.

O fim da longa travessia stalinista avivou esperanças. Muitas denúncias foram divulgadas, os crimes tornados públicos, algumas conquistas exaltadas e as tensões diminuídas. Continuavam as demonstrações de força da União Soviética e dos Estados Unidos, mas existiam espaços para negociações. Grandes gastos na corrida espacial mostravam a rivalidade e a ostentação. Basta lembrar o caso do Sputnik, as aventuras de Gagarin e reações norte-americanas com o início do projeto Apolo. Os contrapontos apontavam dissonâncias,  a atmosfera de conflitos bélicos aparecia  no período de Nikita Kruchev. A construção do Muro de Berlin e os acidentes em Cuba abalaram relações.

O mundo estava acostumado a conviver com contradições e  a política sofria desgastes com as manobras imperialistas. Depois da Segunda Guerra Mundial, muitas reinvenções, medos e sonhos engavetados, porém a violência não abandonava a história e sufocava a democracia. A morte de Stalin poderia ser um sinal de novas investidas no núcleo duro do Partido. Houve abalos, melhorias, no entanto certas questões econômicas não sossegavam. Kruchev se foi e Brejnev  assumiu. Fecharam-se portas, o autoritarismo não deixava de afirmar suas intenções. Só nos tempos de Gorbachev os soviéticos buscaram reformulações e derrubar comportamentos antigos, ainda, stalinistas.

Havia luta por mudanças, desejos de levá-las adiante, porém a fragmentação esfacelou a potência e a crise econômica sepultou a unidade política. Lá se foram os anseios de democracia e as promessas de práticas diferentes. O comunismo não alcançou que se pensava em 1917. O mundo socialista perdeu entusiasmo e capitalismo animou a globalização. A Rússia tornou-se a poderosa das repúblicas que se afastaram. No entanto, a experiência de governos manipuladores e mafiosos têm sido constantes. A farsa se apresenta no cenário cotidiano. Começam rebeldias e  lutas na ruas nas agudas. Putin procura não vacilar. Quer mesmo ser o czar de outro tempo.

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7 Comments »

 
  • Monique disse:

    Bela narrativa histoco argumentativa, Antonio!
    Após essa análise podemos ver o tear da história envolvendo passado e presente, e ainda com menções para o futuro.
    Podemos também ressaltar a magia que “o poder” possui de transformar ideais e alavancar disputas, nem sempre inofensivas.

    Abs

  • Monique

    Grato. Gostei de vê-la por aqui de novo.
    abs
    antonio

  • Monique disse:

    =]
    Os diálogos por aqui são bons de mais para mim!Visito sempre que posso!

    Antonio, hoje assisti ao filme A doce vida de Fellini e confesso que fiquei intrigada. Achei um pouco confuso. Procurei ler algumas críticas sobre ele e gostaria saber tua opinião sobre.Como sei que tens um apresso por Fellini, poderias enviar algo para meu email?Uma opinião rápida?
    Agradeço!
    abs

  • Monique

    Faz tempo que assisti a Doce Vida. Fellini gosta muito das metáforas, de símbolos e deixar a agente intrigado. Há muita criação. Gosto de muito de outro filme dele: A Entrevista. Dê uma olhada. Ajuda a fazer ligações.
    abs
    antonio

  • Monique disse:

    Muito abrigada, Antonio. Verei A Entrevista sim!
    abs

  • Emanoel Cunha disse:

    A medida que a história vai moldando os processos históricos-social da modernidade, trás consigo implicações que retomam ideias que são retomadas pelo crivo das contextualizações do passado.
    A partir dessa volta, percebe-se que as permanências se encontram presentes em muitos dos resquícios da sociedade política contemporânea, agora estas, trazem em seu arcabouços novas abordagens de manipular-se a sociedade através de meios modernos.

    Abs

  • Emanoel

    Não estamos livres das surpresas e das repetições. A história é isso, não tem linearidade.
    abs
    antonio

 

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