A sala de aula: lugar do encontro?

 

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Sou professor faz um bom tempo. Hoje, a maior parte dos alunos e alunas possui idade de serem filhos e filhas. Já cruzei muitas travessias, observei gerações, debati valores, passei por ótimas experiências, morei em instabilidades. Há as dificuldades. As pessoas se perguntam, o mundo ferve, a sociedade de consumo é turbulência. Portanto, vale a inquietude que nem sempre traz o sorriso. Mas valorizo o encontro. A troca é uma aprendizagem. Os silêncios clamam por ruídos. As surpresas ensinam e balançam o conservadorismo. As rebeldias ferem a melancolia, atiçam a invenção.

Tudo está muito tenso e os boatos circulam. Profecias anunciam o fim do humano. Cientistas estudam o pós-orgânico. Aquela história iluminista está escorregando. A razão produziu muitas armadilhas. Há refugiados, miséria, armas nucleares,  cinismos  insinuantes. Não está fácil analisar a sociedade, recuperar as utopias, buscar o afeto. Tudo isso toca na pedagogia. Há quem opte pelo fascismo das autoridades supremas ou quem se recuse a encarar as mudanças. A educação suspira, pede reflexão e solidariedade. As culpas desfilam em dissonâncias fatais. Muitos esquecem de que Mussolini e Franco fizeram pactos com a Igreja Católica. Há sustos antigos e mascarados.

Programei, no semestre atual, um curso sobre cultura. Procurei deixar de lado os padrões cronológicos. Criei um ambiente de diálogos onde o tempo pudesse dançar com leveza, mas sem desprezar as questões contemporâneas. É importante observar o presente e não jogar fora a memória. A  história não tem um planejamento. Ela atravessa abismos, pula mares, fica brincando com nossas perplexidades. Não há fórmulas. Congelar as verdades é um erro fatal. Torcer para que nada dê certo é acordar a depressão, celebrar o vazio, centrar-se na mesquinharia. Seria um exagero acreditar que a egolatria não existe. A multiplicidade assusta, contudo está na vida, se amplia

Viver é contar. Contar é viver. A sala de aula é uma espaço aberto e complexo. Muitos se envolvem, curtem, descobrem. Outros se vão no primeiro dia ou pouco ligam para o que pode sacudir sua apatia.  Parece que conhecem as origens da terra.Tudo é possível. A energia negativa também visita a sala da aula. Não há uma ritual fixo, nem um  objetivo firmado. Porém, sempre aprendo com a convivência. Os sorrisos trazem alegria. Quem  não curte, carrega o peso do individualismo. Não esqueço de ser grato. O que seria do professor sem os encontros? A vida tem muitas portas e as chaves existem. Quem se mostra indiferente não consegue se abraçar com a história. A busca é um livro aberto ou a incerteza de que nada vale.

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2 Comments »

 
  • jailson disse:

    lindo texto, como sempre. Mas esse me toca particularmente por ter sido (e ainda ser) seu aluno e por ser professor. Um abraço!

  • Jaílson

    Todos estamos no jogo. Estou com experiência numa turma de graduação.
    grande abraço
    antonio

 

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