A sensibilidade dói?

Se o mundo gira e nos traz sempre surpresas, os valores se balançam e a história visita abismos e constrói afetos inesperados. Não é proibido sentir, nem abraçar solidariedades. Porém, há tensões e estranhamentos que inquietam. O pior são as indiferenças. Há quem aposte no consumo das novidades e se banhe nas maravilhas das propagandas. Esvaziam- se convivências que prometiam juntar esperanças e refazer utopias. As violências tomam o poder com a ajuda de quem celebra preconceitos e mostra simpatias com práticas que subvertem a liberdade.

A sociedade dividida segue suas disputas. Os temores aumentam e a sensibilidade fica mascarada. Muitos se encolhem, assustados com a dificuldade de pensar o futuro. Espalham-se esquizofrenias. A sociedade perplexa busca terapias, quando a sensibilidade se atiça e o medo se amplia. As perguntas sobram e agoniam.Na história, a multiplicidade está presente.Difícil sonhar com sentimentos homogêneos. A humanidade vive desesperos que se repetem e esperam, muitas vezes, que as revoluções reinventem as possibilidades de testemunhar o sossego.

O movimento do capitalismo estimula a rapidez e o consumo. Não casa com afetos profundos. Parece que se planejam as certezas dos ganhos materiais como salvação de todos os pecados. Mas o óleo chega nas areias, queima a natureza e rasga ilusões ecológicas. Denuncia-se os dos donos do poder que gostam de concentrar riquezas, não ligam para certas destruições promotoras das desigualdades. A palavra de ordem é de intimidar, exaltar as armas, assombrar, desenhar cinismos persistentes. A fragmentação deixa feridas imensas e o pesadelos impedem que a noite conjugue os verbos mais íntimos.

Quem se mete a anunciar que o juízo final se aproxima não observa que as religiões bebem das espertezas das granas. É incrível para quem ainda se segura na sensibilidade e consagra princípios desenhados pelas utopias. As notícias habitam as conversas, trazem pessimismos. Há esgotamento, medicinas tecnológicas, doenças nunca vistas. O mito do progresso já se foi. Serve para enganar. Não é à toa que melancolias vestem os corações. A história continua com as garantias de solidariedade fragilizadas e a globalização alucinada com a expansão dos lucros. Que fazer no reino das mercadorias e dos delírios bipolares?

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