Quem (se) educa na sociedade do espetáculo capitalista?

Tudo tem um preço. É uma máxima ouvida em cada esquina. A gratuidade é coisa do passado. Pertence a tradições já carcomidas pela volúpia das novidades. Mas importam , ainda, as simulações. Ninguém quer se desfazer das bondades. Os generosos andam com discursos bem articulados, exaltando perdões e prometendo mundo de igualdade. Não esqueça que os mensageiros não moram em sociedades distantes. Podem ser seus vizinhos, estimularem convívios afetivos, mostrarem senhores de delicadeza surpreendente. O jogo é imenso e incansável. As verdades e as mentiras não conseguem legitimar fronteiras, porém não se ausentam, divulgam pedagogias.

As regras estão aí. Existem numa multiplicidades crescentes. Os defensores das proibições se sentem, profundamente, oprimidos. Não há como pensar a anulação das leis, uma sociedade solta, sem limites. Os espaços da transgressão não desapareceram. O mundo caiu num sono interminável, vive numa agitação sem ponto final. A força do espetáculo não reside na sua dimensão estética. Hoje, é importante se mobilizar, divulgar informações, desprezar memórias, mergulhar nas invenções rentáveis.

As contradições mudam suas cores e não se esquecem de reformar suas máscaras. Não nega que o capitalismo atravessa crises, que os apertos financeiros se avolumam. A questão é acertar o tamanho das imagens. Nada de lamentações extensas, mas não custa praticar filantropias avulsas. Elas enganam, sossegam os mais ingênuos, organizam instituições que gastam o dinheiro público exaltam princípios cristãos. Campanhas contra seca, apelos para coletivizar certos desgovernos a acudir vítimas miséria. Isto produz espetáculo sai na televisão, cria ídolos, garantem audiência.

O capitalismo é esperto, não abandona o direito de se flexibilizar. Derruba princípios e regue outros dentro um pragmatismo eficiente. A Europa passa por momentos pouco simpáticos. No entanto, os clubes de futebol não deixam de gasta milhões de euros com ajuda dos ricos árabes e da chamada máfia russas. Globalizaram suas competições. Chelsea, Barcelona, Real Madrid possuem torcidas no Brasil, ocupam a atenção de programas esportivos. O Brasil perde prestígio, fracassa naquilo que seria a sua vaidade maior. Neymar se foi e levou sua magia para dividir com Messi.

Portanto,as crises introduzem malabarismos desconhecidos, diluem valores, buscam convencimentos. A sedução anestesia, desenha paixões, aproxima pessoas com histórias diferentes. As culturas convivem com singularidades, sem perder toques de solidariedade na gestão do prazer. O capitalismo retoma seu fôlego, distrai os incomodados, transforma desastres em espetáculo. É a sociedade do videogame, do celular,das brincadeiras eletrônicas poderosas. O cartão de crédito é uma varinha mágica que comanda ilusões e assanha espertezas.

É preciso não anular as rebeldias, nem afirmar que a fatalidade da mercadoria está reinando num paraíso indiscutível. Subestimar as sutilezas da dominação, porém, é um erro que se repete. Não faltam corrupções, concentração de riquezas, fetiches fascinantes e contínuos. Há quem se sinta confuso e termine sacralizando a exploração como condutora da natureza humana. O capitalismo promove a inquietude, constrói lucros., mas a história nunca foi a embriaguez por uma só coisa.O labirinto possui saídas e a possibilidade de mudar assusta as minorias controladoras. O equilíbrio é instável, como o espetáculo.

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2 Comments »

 
  • Elânia Nunes disse:

    O capitalismo é muito contraditório. Como um sistema como esse está se perpetuando por tanto tempo? Até quando? ou sempre?

  • Elãnia

    São perguntas que nos incomodam. Como a vida fica nesse sufoco? Por que a maioria escolhe certas coisas? Resta lutar para desmontar essas contradições. Nem todos confirmam sua adesão ao capitalismo. Há contrapontos.
    abs
    antonio

 

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