A sociedade não consegue decifrar esfinges

 

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O futuro se distancia. Não trata de distâncias físicas. Morrem sonhos, o presente vive tormentos e voltam  valores nada solidários. Não se mire apenas no Brasil. Temos figuras deploráveis ditando normas. As instituições que pareciam sólidas caem no jogo dos disfarces e as milícias afirmam espaços de violências assustadoras. As  passeatas revelam que há ressentimentos perenes. Sente-se  que a raiva é cotidiana espremida pelo desemprego da grande maioria. O histerismo não cede. Guedes ameaça sair do país, Jair adora  caneta bic, as religiões se desenganam com o poder. As esfinges querem um messias, lembram-se das aventuras de Édipo, mergulhados em tragédias contínua. os faraós estão vivos?

As intrigas se multiplicam. A Argentina se assombra com falências econômicas. Cai, enquanto em outros países os políticos tentam se perpetuar no poder. Acompanhe a Bolívia. Quem não conhece os anos 1960 não consegue observar as diferenças históricas e adormece nas  nostalgias de holocaustos tenebrosos. A infantilização faz tremer a autonomia. Busca-se proteção nas tecnologias, no  divertimento que sufoca reflexões e possibilidades de redesenhar a sociedade contemporânea. Aposta-se na opressão programada por minorias que retomam racismos. As guerras se ativam para não diminuir a vende de armas.

A modernidade elegeu  projetos e confiou nas suas realizações. Seus atores dominantes esqueceram-se de que a luta política está longe de qualquer neutralidade. A burguesia se firmou impondo colonialismo, encobrindo crimes culturais, fortalecendo seus mecanismos  de exploração. Ela controla a dança do capital, coloca ritmos  que assanham rivalidades. Analise  como a China se movimenta, como a Europa se digladia, como os alemães se angustiam com retornos nazistas. O lado obscuro da história continua inquietando. Não foi abandonado, pois a ambiguidade manifesta-se sem cerimônias e atrai  quem festeja acumulações e promove desamparos.

O futuro  se veste de sombras e estica-se na extensão da aridez dos desertos. Amplia-se  a ordem  da minoria. Ela quer ser concreta em cada detalhe e importunar quem desobedece. Portanto, autoritarismo convoca esfinges nada metafóricas. Ele imprime a massificação e testemunha ruídos ofensivos  à desigualdade  existente. O espetáculo reserva horrores sofisticados, toma cuidado com suas imagens, mascara os inseguros encostados no desemparo. A  quem pedir? Há convivências amistosas no asfalto das avenidas?  Os pertencimentos  renegam os afetos e as tradições?  Pergunte ou se intimide. Será que os olhares se animam apenas com as novas formas e cores do celulares? O tempo se dana pelas travessias e se encosta na beira dos abismos.

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1 Comment »

 
  • Rivelynno Lins disse:

    …e nas incertezas do futuro, a clássica xarada de manifesta: decifra-me ou te devoro! No jogo do poder, a pergunta: quem regulariza a verdade e a mentira? Diante do impasse, a angustia sobre o que se é verdade e o que se é mentira de fato e de direito parece perder importância, pois o que se sentem são os efeitos das instituições que as regularizam, não de forma neutra, mas sim interesseira, partidária e não confiável. Quem decifra a xarada não destrói a esfinge e a impotência é o que de fato se sente diante de uma ordem social,desumana, desigual, violenta e pouco a pouco muito mais armada do que antes. Matar os desafetos, os pobres, os divergentes seria a solução? O que fazer com os que acreditam nisso e assim se comportam? As novas xaradas sobre o futuro emergem no presente que se sente agora. Quem poderá decifra-las?…

 

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