A superfície e a nudez dos (des)enganos constantes

 

Respirar é preciso, mas imaginar, também. As tragédias nos tocam, mais de perto, com a globalização dos meios de comunicação. Não estamos vivendo muitas calmarias. As reviravoltas assustam, com sucessivas noticias e imagens de violências e hecatombes. Há desequilíbrios avassaladores e frequentes. As armas detonam vidas e as águas se rebelaram. As tensões se agudizam em várias regiões. O Japão sofre transtornos e transmite ansiedades, para todos que caminham juntos com a solidariedade. O incômodo lembra destruições anteriores e configura instabilidades.

A dor bate nos corações. Os tremores de terra deixam milhões de pessoas em expectativa.  Desesperos repentinos provocam insegurança e colocam projetos e futuros em risco. Não há explicações que sosseguem ou façam esquecer que o mundo pode se diluir, com acontecimentos inesperados. Estendem-se medos e preocupações. Tantas tecnologias descobertas e, ainda, a fragilidade não deu adeus à cultura humana. Não tem muita saída. Os desenganos são instituintes e não superfícies estranhas e acidentais. No momento, orações, pedidos transcendentais, lutas organizadas, coletivamente, tentam resistir ao desânimo. A respostas é reconstruir e redefinir as estradas das experiências.

Não há silêncio possível. Os ruídos convocam fazeres e entrelaçamentos.O tamanho das ondas, as inquietações dos mares, a profundeza dos abalos ferem sentimentos e corpos. As marcas inesquecíveis acionam memórias, comparações e desejos de não sucumbir ao pessimismo. Para aonde caminham as relações com a natureza? A dominação nunca é absoluta. Elas alicerçam falhas, muitas vezes, obscurecidas, por arrogâncias delirantes. Há os instantes de lutos e de ressuscistar passados primordiais. Fazem-se pausas necessárias, porque a paciência não pode esgotar-se. A desconfiança, no acúmulo de tantos objetos e no lixo do luxo, mostra a força das ambiguidades. Ela  persiste, não se esfumaça.

A velocidade da reflexão não permite, muitas vezes, que se alarguem a crítica e a vontade de mudanças. As dúvidas terminam submersas, pela pressa, e o mundo corre para desfazer-se de suas derrotas, de olho na volta do sucesso. A história das culturas alertam para os descasos e os excessos de onipotência. As harmonias são passageiras, mas, não descartáveis. O vaivém dos desacertos tumultua, porém o fôlego de remontar o tempo não dever ser abandonado. Evitar que os isolamentos espalhem desamparos é uma urgência contínua. A depressão acompanha o ritmo de um sinfonia de morte, de sufoco, de desmantelo. Nada com removê-lo, com energia do fogo transformador.

A incompletude não é uma acidente. Tece-se na condição humana. Deuses são inventados. Amenizam angústias, atiçam salvações. A rebeldia merece, porém, atenção. A sociedade tem pontos de contradição visíveis. Quem os governa não busca soluções. Simula esconderijos e arquitetam espelhos solitários, com riqueza materiais concentradoras. A sensibilidade adormece, quando o outro não passa de uma boneco virtual. O perigo é a sedução das imagens. Elas trazem um espetáculo triste que, também, distrai afetos e não radicaliza ações. O envolvimento, com as tragédias, toma muitas direções. É preciso não encobrir o mundo com o manto do susto raro, mas envovê-lo com o toque vivo, sem as armadilhas da coisificação.

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>