A travessia atordoada

A sociedade se encontra diante de muitas encruzilhadas. Não conseguiu superar as desigualdades, enfrenta danos éticos e o capitalismo segue armando cilada. As revoluções não superaram impasses antigos. Há permanências. As experiências socialistas criaram, muitas vezes, governos autoritários.Sabe-se que o ideal da solidariedade não morreu, porém não se pode negar que há desmanches, violência e descasos políticos. Repetem-se certos desenganos, concentram-se privilégios e coletivo não firma sua autonomia.A falta de alternativa inquieta quem se atordoa com a forte tendência de espalhar deboche e massificar tolices.

Os populismos não cedem, porque a política não se torna ponto de reflexão. Querem eleger salvadores, depois surgem as desconfiança e os fracassos. Portanto, as sucessões trazem esperanças que são passageiras. Há promessas e não planejamentos consequentes. A quebra dos valores é imensa. Não projetos para substitui-los e os escândalos de corrupção aumentam. O reino do cinismo se alia ao pragmatismo. Trump e Jair desfilam com aplausos de uma plateia descolada da história.Parece um divertimento que despreza a memória e flerta com os fascismo.

Se os impasses se acumulam, as frustrações ganham espaço. Não significa que a apatia se alastra de forma incontrolável. Há resistência e lucidez. Assusta a existência de grupos que pedem para ser dominados. Não se trata, apenas, de observar a misérias e o descontrole. Dói registrar a omissão e sorriso de alguns. Quem se ocupa da sociabilidade? Vale celebrar a competição? As chamadas autoridades soltam as palavras com argumentos nada equilibrados. Quem desejam agradar?

A história nunca foi um deserto de aridez inesgotável. Há jardins. Os conflitos não se localizam em determinadas épocas e se vão em busca de paraísos. No entanto, há tempos de crises mais profundas e desesperos mais frequentes. Caminhamos evitando encruzilhadas, mas ela aparecem com uma força destruidora. Um desmoronar que deprime e se amplia. Se a rebeldia se fragilizar , de vez, as convivências serão focos de discordâncias constantes. É preciso dizer um não , para que se aticem diálogos. Não é uma contradição, porém o desenho de necessidades que movimentem e abatam os fantasmas,

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1 Comment »

 
  • Rivelynno Lins disse:

    …a sociedade está dividida, o senso comum foi abolido, a ética passou a ser feita e refeita a partir da conveniência do dia para muita gente, seja com esclarecimento, sem esclarecimento, para pessoas medianas. O meu real não é o real do outro, a realidade é deturpada de forma violenta e torpe. Como bem lembra o texto, o cinismo e o deboche assumiram o controle, eles produzem o real ao seu bel prazer. E com isso, cresce o espaço das intolerâncias, das desigualdades, da negação dos direitos da mulher, cresce a força de uma polícia fascista que não cumpre as regras, as leis e age de acordo com as suas próprias conveniências ideológicas. Ainda assim, há práticas de rebeldias, de resistências, de tentativas de fazer valer o estado democrático de direito. Contudo, estas práticas caminham solitárias, não ecoam, não contagiam um coletivo maior. O maior e melhor presidente da história foi e continua preso a mais de um ano e com ele notícias são forjadas a seu favor e, na mesma intensidade, contra a sua honra, no meio dessa guerra ideológica, política, jurídica e institucional, a divisão da sociedade brasileira e a encruzilhada da incerteza sobre qual o caminho o país trilhara para sair da crise ou se afundar ainda mais nela. Bestialiazados, o povo aguarda os próximos passos daqueles que conduzem a nação e daqueles que tentam impedir tal condução. Quem conseguirá mobilizar grandes coletivos a seu favor?…

 

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