As opressões: a vida desfeita e o capital soberano?

Resultado de imagem para guernica quadro

Há apreensões com as inseguranças cotidianas. A vida é uma aventura, ninguém nega. Na história, há lutas imensas para se evitar danos e reerguer ruínas. Tudo convive com negligências. Cada época possui seus contrapontos. Quem não se lembra das vinganças divinas descritas na Bíblia? Sacudir as bombas atômicas assassinando pessoas e devastando paisagens é crime. Não é recente tanto descontrole e falta de generosidade. Montam-se armadilhas sofisticadas que acabam com o futuro e provocam depressões intermináveis. Contemple Guernica de Picasso. É uma denúncia que marca e inquieta. A imagem do paraíso se esvai como se o inferno definisse  a vida.

Existem falas em defesa da Vale como grande patrimônio do povo brasileiro. O cinismo cria travessias acidentadas. A Vale se torna uma vítima em nome das travessuras perversas do capital. Nota-se como a justiça navega afirmando vacilações. Muitos são presos porque  estavam com fome e se arriscaram a burlar a vigilância de um supermercado. Quantos já morreram nas guerras ou intoxicados por poluições insistentes? As desigualdades não só atingem as misérias mais comuns, elas desenham hierarquias opressoras para salvar quem monopolizar os assaltos legalizados. A ausência de solidariedade não é nada extra.

Os contrapontos da história assustam e nos mobilizam. Permanecem as pedras no meio do caminho. A memória se atiça, traz genocídios, terrorismo, berlindas. Quem determina a culpa? A política continua sendo um jogo cruel. um território repleto de pântanos. Tiros, drogas, corrupções, fugas, desgovernos. A história surpreende, pois deveríamos zelar pela sociabilidade. No entanto, a destruição não é novidade da era digital. Os sonhos se desmancham, com anúncios de deboche e infantilidades chocantes. Há teorias para tudo invadindo os momentos mais tensos. É o reino da pulsão de morte instantânea ou labirinto dos delírios psicóticos?

Quando se fala na pós-verdade, muita gente não entende. A manipulação se estende e derruba éticas. O riso parece acompanhar cenas de horrores. Há quem se vista do fácil para cultivar demagogias e acelerar os enganos. O esquema funciona e o passado não foi revisto. Alguns desejam eliminar os vestígios das sujeiras e negar nazismos e ditaduras. Celebram figuras medonhas: Franco, Hitler, Pinochet entre outras. A amargura de Guernica assinala vestígios terríveis.Picasso foi soberano na sua arte. Não festejou sofrimentos, nem consagrou tiranias. A dubiedade merece atenção. As tecnologias visitam as torturas, facilitam as comunicações, divertem. Quem se deixa levar pelo pesadelo naturalizando os crimes?

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

1 Comment »

 
  • Rivelynno Lins disse:

    … como bem diz o texto, há teorias para tudo, e assim, “As desigualdades não só atingem as misérias mais comuns, elas desenham hierarquias opressoras”. Estamos no mundo e tudo o que temos de mais importante diante dele, na minha opinião, ainda é a nossa capacidade de decodifica-lo com as nossas próprias limitações, desprovidas de interesses mesquinhos e seivada de sentimentos solidários, capazes de coexistir com o outro e respeita-lo na sua individualidade. É preciso, é necessário lutar contra as opressões e contra as desigualdade, para que a liberdade de ser e pertencer a um mundo mais justo, igual e partícipe dos direitos humanos possa nos ser assegurado…

 

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>