A vida não silencia, eu não silencio

Não adianta se esconder, nem ficar trancado no quarto. O mundo se movimenta, não importa a chuva, nem o sol. As guerras confessam que somos violentos e as poderes se espalham pela globalizada sociedade dos desencontros.Quando me olho ,no espelho, sinto que as inquietudes me abraçam e tenho de perguntar alguma coisa. A apatia destrona qualquer sentido para a vida. Talvez, ela seja uma esfinge vazia ou um delírio de Prometeu. Mas é um desafio. Não faltam acasos, magias, desprezos, ousadias, banalidades. Muitas misturas numa complexidade infinita.

É preciso conversar. As palavras pedem que não haja silêncio. Não sei contemplar silenciando as questões. Sinto que há incômodos. Há dias pesados, cheios de desfazeres. Há pessoas levianas, carregadas de hipocrisias. Não posso viver sem escolhas. Nem conheço a razão de tantas travessias. Sei que posso escorregar.Os pântanos estão no mundo, as aventuras solicitam coragem no entanto o medo não desiste. O mal estar freudiano me persegue, mesmo que desconfie de certas teorias. Não dá para calar, não dá para fabricar espetáculos com atores covardes.

Se tudo é um destino cruel, não sei. Leio as tragédias gregas e aprendo. As dúvidas permanecem. As perplexidades de Édipo não se foram e andam pelas ruas acidentadas. O que quer a humanidade? Ela possui dons especiais ou cultiva mentiras para construir culturas? Você consegue compreender suas histórias? Fala-se de democracias, há pretensões utópicas. A natureza está tomada por poluições. Para que a tecnologia? Os governos fazem política ou disputam espaços confortáveis?

Mesmo que se afirme que o silêncio é de ouro e a palavra é de prata, não deixo de chamar as palavras, desmontar certas verdades, atiçar o texto. As sabedorias podem povoar, um dia, o mundo e trazer anjos vermelhos. É uma especulação ou uma sonho desnutrido. O sol nasce, lá fora, há pássaros na varanda e ruídos de carros. Descrevo o tempo, as recordações lembram frustrações e a vida corre. Se a história é maior que o destino e sossega-me com autonomias, tenho que cuidar dos afetos e não sacudir a leveza de inventar. Porém, as perguntas não se apagam.Possuem cores vibrantes.

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