A violência e a droga não pedem licença

Há sustos que não podem ser esquecidos. Não se deve, porém, ter medo de  insistências. Calar é consentir, achar normal comportamentos que desqualificam a vida. Assim, tem sido a ação dos grupos de tráfico de drogas. O que está acontecendo no México é desestruturante. Não devia ser silenciado descontrole, mas ganhar protestos de mobilizações internacionais. O extermínio banalizou-se ,  governo não segura a onda, sente a violência que se estende. O mundo se dissolve quando fragmenta seus olhares. Perder a dimensão do social é anunciar o apocalipse. De que adianta viver, com uma arma apontada e o grito de resistência emudecido?

Existe uma população mundial de 7 bilhões de pessoas. É um número mágico. Mas pergunte como estão, em que condições organizam seus cotidiano ou mesmo por onde andam os privilégios? Faça uma visita a Somália ou tente uma conversa democrática com o ditador da Síria? Divulgue um manifesto em solidariedade às vítimas dos acidentes provocados pelos motoristas alcoolizados e cínicos. Tente uma vaga para socorrer seu irmão num hospital público sem esperar aborrecimentos. Pense na ética da política e questione o que significa ser inocente ou idiota. Sete bilhões de pessoas, mas, talvez, sobrem mais de 10 bilhões de indagações.

As sociedades nunca conviveram longe de divertimentos e alegrias. Ninguém quer cultuar a melancolia como princípio fundamental da cultura. Há rituais, desde os tempos mais antigos. O sagrado e o profano se encontram, se mascaram, se largam pela história. No entanto, estamos na chamada sociedade de consumo. Ela possui sua singularidade. O reino da mercadoria se amplia e se acompanha do reino da violência. Há muita sofisticação e descobertas brilhantes. A ambivalência deixa dúvidas sobre a profundidade de mudanças na forma, quando as quebras de solidariedades são constantes e perturbadoras.

A discussão sobre as drogas alimenta manchetes e pesquisas. Não há certeza, mas é importante enfrentá-la com todas as transparências possíveis. A droga circula na esquina da tua rua, na escola da praça, nos clubes de dança, nos becos das favelas, nas boates mais badaladas, nos lugares inóspitos  ou sedutores. É avassaladora e conecta-se com o desmanche dos afetos. Todos se  tensionam sem saber qual é a melhor trilha  para a busca de alternativas. Por isso, o consumo toma conta dos detalhes de cada desejo , desfigura a educação e desfaz a necessidade de escutar as experiências. A violência surge como uma resposta que fortalece o caos e  impede desenhar a cartografia do futuro.

Retomar certos incômodos, não desprezar a crítica e ter paciência com a reflexão salvam muitos desmantelos. Não acredite em propagandas ou campanhas ditas humanitárias, se a sociedade conserva hábitos, extremamente, individualistas. Combater as arbitrariedades no trânsito e, ao mesmo tempo, incentivar a compra de automóveis em suaves prestações traz confusão. As cidades se enchem de objetos que parecem comandar as pessoas. Como, então, escapar de tantas armadilhas se há deslumbramento pelas máquinas e seus malabarismos? Com cuidar das pessoas se  a jornada de trabalho é extensa e tem significados para sua ascensão social? No voo perigoso do trapézio, lembro-me de Albert Camus: solitário ou solidário.

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3 Comments »

 
  • Valerio disse:

    Antônio,

    veemente e oportuna demonstração de alguns paradoxos dessa nossa

    sociedade de consumo, onde, o que importa é formar ávidos “sócios”

    complacentes -antes de tudo- e exilados de quaisquer reflexões.

    Acrescente a isso a propaganda de cerveja na televisão em qualquer

    horário, a despeito das crianças ou por causa delas mesmo, e vemos

    a incubação do ovo da serpente.

    Que malefícios poderiam advir disso, ora diriam:

    “nada, absolutamente nada”

    Até breve.

  • Valério

    Temos que fazer leituras cotidianas das ambiguidades sociais. Há armadilhas perigosas. Devemo evitá-las.
    abs
    antonio

  • Emanoel Cunha disse:

    As armadilhas das propogandas são sempre as mesmas, basta refletir ao qual publico ela se direciona. O que ela mesma implode,a torna-a muitas vezes, contraditórias com suas próprias ideologias. Salva-guarda que é preciso reflexão a respeito das ambiguidades que a mídia nos coloca cotidinamente aonde quer que andemos ou ouvimos. Consumo gera consumo e este destroí sorrateiramente as ideias, as revoluções de refletir os danos que suas fragmentações cria: Violência com o acumúlo de drogas que empobrece nossa visão de lermos o mundo tal qual ele é.
    Emanoel Cunha

    Abs

 

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