A violência não tem medida: machismos, guerras e cia.

Fala-se em civilização. Juntam-se ordens. As culturas se organizam para descobrir mundo. Fundam-se instituições. O cuidado existe, precariamente, mas muitos esquecem que o homem é o um animal social. Possui sofisticações e tatuagens mascaradas. Desafia verdades tradicionais, luta por melhores condições de vida, assume invenções científicas. No entanto, nem tudo merece celebração. Há tropeços e desgovernos fatais. Quebram-se serenidades e as guerras cotidianas enchem as ruas. Há quem justifique os desmantelos e os preconceitos não abandonam a sociedade. O sinal vermelho se firma com múltiplos significados e descontroles.

As notícias sobre violência atraem: uns gostam de saber e outros ficam perplexos. Quando se pensava que a igualdade deveria tomar conta do mundo, a violência e suas astúcias avançam  para derrotar os mais fracos. Ela se espalha como agrotóxicos. Não são os roubos, ou a falta de justiça. Há uma destruição da convivência. Uma onda de defensores da família se avoluma de forma oportunista. Seguem os estupros, os assassinatos de homossexuais, os discursos agressivos, a segregação racial. Quem aposta na paz, na civilidade, no desejo de assegurar direitos?

Nunca acreditei na linearidade, na conquista de um progresso ilimitado. Basta olhar o século XX. As sociedades se odeiam, as religiões criam orações perniciosas, os governantes se perdem com seus falsos projetos. A cultura consegue cobrir incompletudes, mas não nos distancia dos retornos de práticas fascistas. A intolerância está solta. As leis são manipuladas, o controle satisfaz a quem se locupleta com privilégios. Muitos pensadores do século XIX já se vestiam de pessimismo. Gritavam que o ocidente se chocava com abismos profundos. Trump estica a irresponsabilidade com fúria e psicopatia. Brinca para atender o terror das armas.

A chamada pós-modernidade não trouxe o equilíbrio, porém uma complexidade incrível. Não sabemos, ainda, enfrentar tantas mudanças. As melancolias, as depressões, as desilusões, as distopias estão passeando pelo mundo. A banalidade do mal ganha corpo. O homem não foge da sua animalidade mais feroz. Será possível? Houve transformações nos hábitos. O caminho, contudo, está com pedras pontiagudas. Culpam-se alguns e inocentam outros de forma cínica. O festival de polêmicas não fermenta diálogos. Os ódios não se intimidam, buscam alvos, pois a tecnologia não é neutra e se instrumentaliza para a guerra. Não faltam ameaças universais.

A história não promete viajar para o paraíso. Não sei nada sobre o futuro. As relações continuam tensas até na padaria da esquina. Promessas iludem, derrubam políticas. Os inocentes são atacados e morrem com seus sonhos. A velha luta do bem e do mal não é uma ficção. Não permute os tempos, nem consagre salvadores. As imagens enganam e compõem o mercado. Numa sociedade dos preços e das disputas, é quase impossível observar a luz. Não adianta se envolver com apatias para não sofrer. Os anjos também se cansaram e os deuses negociam seus ministérios. É preciso atenção e coragem. Desacreditar , em tudo, é o juízo final.

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