A quebra da história: o rio amargo

Somos animais sociais. Sempre repito. Não acho que seja uma dádiva inesgotável. Existem outros animais, talvez até mais sábios e cuidadosos. Nós vivemos trocando favores, afetos, invejas, ressentimentos. O mundo pantanoso faz com que o caminho seja traiçoeiro. Não faltam as desconfianças e as sociabilidade. Há permanências, porém não temos o domínio do tempo. Hoje, a velocidade entontece, os amigos gostam de acumular tudo. Numa sociedade tão complexa, não poderia deixar de haver violências. Não se trata de atacar os outros e esquecer o que aconteceu. A violência se amplia e possui forma diversas. Assusta e se globaliza.

Se o poder de polícia não tem limites, os preconceito não se vão. Violência física e violência simbólica invadem territórios íntimos. Somo animais sociais cercados por egoísmo e um modo de produção repleto de astúcias perversas. A história se quebra, com descontinuidades e medos. Pouco sabemos das pedras que se colocam no meio  de cada trilha. O imprevisível ocupa os minutos. Acordamos com pesadelos, com imagens que se repetem e não recomendam olhares otimistas. Os sabores amargos intimidam.

As instituições apelam para sobreviver. Os limites são pequenos. As leis não conseguem segurar a serenidade e as disputas se tornam espetáculos. Para isso a Globo tem seus espectadores. Quando começaram a fazer transmissões do Congresso e do Supremo fiquei na moita. Isso é transparência ou uma tragédia bem ensaiada? Nunca curti os deputados simulando voto democráticos. E os juízes com dizeres formais, parecendo sacerdotes de uma religião poderosa? A confusão cresce e a violência se sofistica. Querem punir e intimidar, criam reformas congeladas, sem debates coletivos. Parecem emissários do juízo final.Por onde anda o desejo de repartir? Por que tantas polêmicas para justificar as ruínas?

Não há como convencer com jogos de palavras. As veias estão abertas.Minorias privilegiadas sustentam seus confortos,  temem mudanças. A violência não está, apenas, nas prisões, Está nas intrigas pessoais, tumultuando afetividades familiares. Ela se insere nos discursos, nas falas de quem se diz sagrado, se mistura com o comércio de armas e de drogas, trava instituições , desfaz pedagogias amistosas.. Não adianta orações, se a hipocrisia se amplia. A história busca se arrumar. Sofremos com certas convivências. Não esqueçam que Deus descansou no sétimo dia, que os criadores e as criaturas nascem e morrem. A memória é  manipulada pelo poder do vencedor. Não é estática.

Uma sociedade que se propõe a ser envolvida por espetáculos desgovernados pode estar traçando uma trilha poluída. Geram-se devaneios para tirar a reflexão e deixar que as pessoas se inquietem. Não é a lucidez, mas o delírio e a insensatez que ganham territórios. Estamos numa arena repleta de agressividades e vinganças. Como criar medidas, imaginar o futuro, soltar-se para rever utopias? O destino se alarga, estende-se e as respostas suspendem expectativas. Há um sado-masoquismo instalado que destroça afetos e celebra o ridículo. Como se livrar de tudo isso, expulsar a incerteza, se as hienas sorriem e comandam um massacre cruel que desfigura os sonhos e oportuniza a desavença?

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2 Comments »

 
  • Adalva C.Galvao Marangon disse:

    O caminho da desesperança abre-se pedregoso e tenebroso. Flores brotam em cascalhos mas, não nessa realidade,que ora vivemos. Já não sabemos como,nos comportar: calados, mudos ou conversar amenidades. Conviver com as diferente contra nós, o povo não é fácil. Viver nunca foi fácil mas agora está pior. As criaturas se encontram com ânimos acirrados quase que numa esquizofrenia social. Nas redes sociais mostram-se discursos que gostamos de ouvir. A raiva e o ódio campeia nas relações.

  • Adalva

    Esta difícil acreditar. Tudo muito confuso e o egoísmo solto.
    abs
    antonio

 

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