A violência tumultua a convivência e a confiança

 Há  imagens que atiçam constrangimentos. A situação da Síria vem sendo comentada na imprensa internacional. Não cessam as acusações de violência desmedida, mas  ditador Al-Assad permanece solto na sua conveniência. China e Rússia não se mostram favoráveis às sanções anunciada pela ONU. Ninguém compreende até onde os interesses econômicos tumultuam as negociações. A política não tem casamento definido com a transparência. Não custa bater na tecla, mesmo que a repetição pareça inútil. A indiferença promove o descaso. A intolerância e o desgoverno se espalham, não, apenas, na Síria.

O apelo feito pela criança é um choque. Diz do tamanho da dor, alerta para o abismo, exige resposta. É importante, na história, não se impressionar com os primeiros momentos. Muitas vezes, esperamos êxitos democráticos, revoluções e seguem, depois, desacertos. Lembrem-se, também, do Egito, dos elogios feitos à famosa primavera da democracia. A expectativa inicial não se fixou. O ditador se foi, porém o autoritarismo perturba a necessidade de organização e de celebrar, efetivamente, as conquistas. O povo não sossega diante da repressão e das armadilhas preparadas pelo governo.

Os Direitos Humanos sofrem ataques nos mais diferentes lugares. As exceções são raras. Não  há só os descontroles de Castro. O  desprezo, pelo respeito  a solidariedade. é forte. Os preconceitos viajam. Na Europa, nos Estados Unidos, nas perseguições aos palestinos não faltam censuras, quebra de pactos. Tudo contribui para enfraquecer as utopias, para minar o otimismo. Ninguém capaz de anular todos os limites. Eles compõem os cenários da cultura. Mas houve reviravoltas, tentativas de transformação que não sucumbiram. A luta não esmoreceu, porém a violência não cede seus lugares, acendendo memórias, formatando frustrações. A sinfonia é dissonante, não deixa que os sonhos alarguem horizontes.

Os impasses históricos não são incomuns. Sociabilidades se renovam, visualizam ruínas. Nada de extraordinário, mas o cotidiano descreve, nos detalhes, que os contrapontos inquietam. Em Salvador, a greve dos policiais desanda. O Estado sente-se perdido, as mortes se sucedem, a população se apavora, os saques amedrontam. O problema da segurança é medonho, pois a sociedade estimula a competição. Quando surgem os desconfortos, disfarçam os perigos das concepções divulgadas nos meios de comunicação.  No geral, vivemos a exacerbação do individualismo, com disfarces que desmontam, quando a violência dispara e intranquiliza. É claro que as hipocrisias procuram desviar as atenções, sem se preocupar com os alicerces do caos. As máscaras não circulam, apenas, nos blocos de carnaval.

As argumentações passam por analistas, políticos de plantão, órgãos  internacionais, cronistas especializados, enfim os olhares sobre o mundo ganharam dimensões incomensuráveis. Estamos longe do samba de uma nota só. A contemporaneidade acolhe a diversidade, sem abandonar os conflitos. Temos, também, nossas argumentações. A neutralidade é um esconderijo que não vinga. Não se pode aplaudir violência. O atento Eduardo Galeano afirma: Há quarenta anos, segundo as pesquisas, seis de cada dez norte-americanos confiavam na maioria das pessoas. Hoje a confiança murchou: só quatro de cada dez confiam nos demais (in De pernas pro ar: A escola do mundo avesso, 2010). O mundo da cibercomunidade se expande. Reverter as desconfianças é uma travessia.

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