A vitória da Argentina e os olhares de cada um

Nada como não deixar o coração no sufoco. Perder faz parte da vida. É uma lição que sacode sabedorias e acalma emoções. No entanto, as derrotas causam sobressaltos. Muitos ficam incomodados e concentram raivas. Negam perdão e se entregam aos pesadelos. O jogo entre Brasil e Argentina foi o assunto da semana esportiva. Teste fundamental para o elogiado Mano Menezes. Os programas esportivos gastaram  análises e especulações.

O jogo não foi tão quente, como se esperava. Merecia mais arte, devido à fama dos participantes. Ronaldinho voltava à seleção, depois de uma ausência cercada de polêmicas. Ele lembra o mágico que perdeu a cartola. Deslumbra, se esconde, mas não sai da mídia. É interessante seu percurso.O Brasil continua sua renovação. Nada contra, há valores dignos do lugar que ocupam. Quem conhece a história do futebol, sempre lamenta. Os talentos ainda não convencem, não trazem a garantia de que o time vai engrenar.

A mediocridade não tomou conta das jogadas. Restam esperanças de que a fase Dunga não retorne. É possivel que a seleção ganhe corpo e forma. Então, teremos outros comentários para fazer. Por enquanto, a presença de Robinho provoca interrogações. Está fora do compasso. Não consegue articular o ataque , com seus dribles, antes, espetaculares. Destoa, por ser um dos líderes do grupo, escolhido como exemplo.

O mundo contemporâneo está repleto desses sucessos. Explodem manchetes, encontra-se mais um gênio e começa a odisséia. É cenário comum nos meios de comunicação. Robinho precisa de umas férias, pois talvez tenha exibido-se em excesso. De resto, a equipe mostra boas conversas com o futuro. O toque de bola é ágil, não há os costumeiros chutões e sobra entusiasmo. Não vamos criar fantasias de reinvenção de talentos, nem tampouco preparar velórios e amarguras.

Os argentinos são conhecidos. Enfrentam o Brasil, com muita raça. Rivalidade sempre ressaltada, belisca a vaidade dos atletas. Ninguém despreza a vitrine do mercado da bola. Na sua seleção, há um craque indiscutível. Sua formação foi construída no Barcelona, desde muito cedo. Chama-se Messi. Ele desfila sua arte, sem arrogância. Não é elegante como Pelé ou Zidane, nas suas elaborações. No entanto, surpreende, cativa olhares, move-se com inteligência.

Messi decretou, no final da partida, o resultado , praticamente, inesperado. Usou suas astúcias, aproveitou a vacilação verde-amarela e marcou um belo gol. Tristeza de Mano, porque tudo caminhava para empate e a invencibilidade seria mantida. Jogo é jogo. O lúdico arma e se diverte com suas armações. Não há necessidade de se costurar tragédias e redefinir estratégias de convocação. O grupo anda e a derrota não representou fracasso. É claro que as lições existem. Vale aprendê-las.

A festa sofrerá interrupções. Gozações. Ironias. Preconceitos. Nessa hora, o vencedor se aproveita para descontar ressentimentos do passado. O Brasil estava confortável, agora afirmará algumas mágoas. Como de costume, os donos do apocalipse anunciarão profecias. Quem sabe se Dunga voltará a escada da fama? Numa sociedade de tantas diversidades, tudo se torna possível. É a vontade de cada um registrar seus desejo e ambições.

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