Arquitetura e nudez da solidão

Não se esconda no labirinto da primeira esquina. Queira distância. Não pense também que os labirintos são feitos apenas de pedras ou concreto armado. Solte-se. Deixa a imaginação sacudir o corpo e submergir com força. O labirinto dialoga com a solidão. Pode ser uma fantasia, uma figura geométrica desenhada num caderno avulso. Então se volte para a vida, lembre que é um animal social de uma complexidade exemplar. O manto do sentimento nos cobre e a razão busca anular dúvidas. As espertezas  se transformam ou disfarçam frustrações ?

Não estime que as respostas cativem soluções. Há infinitos e perdas de energias simbólicas. Vivemos de arejar invenções, por isso a solidão aparece para distrair ou compor sinfonias inacabadas. Não dá para escrever uma história que não possua rascunhos de imaginações do absoluto. Todos nos tocamos. Há amarguras, incompetências indefinidas, divagações. Não há como encerrar o que se conta e continuar narrando sem histórias anônimas. Tudo se envolve, se mistura, dança como o Deus de Nietzsche.

A solidão é uma longa viagem.Mas não a meça com metros ou minutos. Nada transcende a relatividade do tempo. A memória nos traz confortos, aponta possibilidade de renovação. No entanto, o passado joga com as expectativas do futuro. O inesperado mora em cada suspiro, confunde o ritmo do fôlego. Sobram espaços para adivinhações e não as julgue inúteis. Não se assuste se a verdade brincar ou o medo se vestir para sair no carnaval do sétimo dia. O lúdico é o desenho do universo profano.

Escreva como não se pertencesse. Não interessa que a palavra seja curva. Firme uma geometria que não conheça. A gratuidade e o acaso transitam pelas páginas dos livros de Paul Auster com poderes e insinuações. A solidão ajuda a ampliar o mundo. Se os mitos se conservam, a eternidade se torna uma utopia sem fim. Os jogos  dos conhecimentos divertem, provocam pretensões, porém nunca resolverão  as magias mais radicais.

Não tenha receio dos escorregões,  nem acredite que o sagrado é uma dimensão inesgotável. As pessoas nascem, sem ter a certeza que atravessarão desertos. Não se canse de inventar sentimentos, converse com as ficções e construa labirintos que permitam múltiplas caminhadas.Se existem fugas, não sei. O imóvel não sobrevive. O movimento é a argila que abraça os seres históricos. Veja a sua nudez no espelho, sem silenciar, nem tampouco desfazer as estranhezas. As imagens costumam acordar as assombrações.

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