As armações de Teixeira e o espetáculo da leveza

Os assuntos ganham as conversas cotidianas, quando tocam no sentimento da maioria. Há coisa que perturbam e intrigam. Outras trazem divertimento, soltura e alegria. Nem sempre existe o que comemorar. As violências se ampliam e surpreendem. Desmontam-se valores e a sociedade vacila.  Contudo, quem gosta de futebol ficou deslumbrado com o jogo Flamengo x Santos, com lances de pura arte e recuperação de memórias do passado. Afinal, somos exaltados pelo malabarismo de nossos jogadores. Já passam a adolescência, na Europa, tal a voracidade do mercado da bola. Gosto de comentar alguns fatos, depois de certo tempo. A permanência mostra que houve mobilização e entusiasmo diante do espetáculo de Neymar e Ronaldinho.

Tudo se dá, no meio de uma campanha, bem articulada, para abalar os poderes de Ricardo Teixeira. Suas declarações, cínicas e agressivas, provocam antipatias generalizadas. Ele estabeleceu-se, no poder, e distribui arrogância. Sente-se inexpugnável. Circula, entre os políticos, com desenvoltura. Quem está, na sua embarcação, parece  não sofrer ameaças. Desfila, com um ar melancólico, pelos meios de comunicação, garantindo pactos soberanos e milionários. Denúncias não faltam para destruir sua administração. Ele se mantém, porém, como um ditador vitalício, de um lugar que não conhece sinais de democracia. A Copa do Mundo será no Brasil. Mais um motivo que leva Teixeira a firmar suas negociações e ironizar seus adversários.

O futebol perde. A ausência de dignidade não ajuda ninguém. Deseduca e concentra maldades. Não é exagero afirmar que a cultura não é, apenas, reflexões intelectuais ou palavras de políticos envolvidos com os poderes centrais. A cultura constrói sentimentos, utopias, rebeliões, desmantelos, estéticas, descompassos, harmonias, enfim significados que navegam pela sociedade humana. O futebol é esporte de grande sedução. Há multidões entrelaçadas com suas idas e vindas, transtornadas com seus desacertos e em busca de ídolos para admirar. Portanto, é preciso cuidar bem dos seus caminhos e não fixá-lo num balcão de negócios.

Apesar das frustrações, com a Copa América, a vida continua. O Brasileirão não se interrompeu. Surgem craques. Existe, porém, a necessidade de fortalecer êxitos pessoais. O capitalismo incentiva o individualismo e as marcas famosas asseguram o patrocínio dos eventos internacionais. A grana movimenta  interesses e distrai as transparências. Não há uma apatia imutável diante das armações.  Reações e críticas se acendem. As controvérsias não morrem, nem nos territórios do totalitarismo. Se há possibilidade de fazer a faxina, de excluir a corrupção, vamos tocar a música que nos liberte dos autoritarismos e dos sedutores disfarçados.

O espetáculo não é único. Ela também possui bases, atrai a diversidade, tem quem o controle. As relações de poder não respiram ingenuidades. Não estamos no paraíso antes de Adão e Eva. O fundamental é não se curvar diante das aparências. Ler nas entrelinhas. Na luta por lugares de privilégio, os maquiavelismos imperam. Ricardo não está só. Não é o vilão que comanda o futebol com astúcias isoladas. Ela representa vontades, projetos, manipulações. A questão é complexa. Não é à toa que ressalta o valor das hierarquias. Ele segue estradas, acumula monopólios, com auxílio de muitos seguidores.

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3 Comments »

 
  • Gleidson Lins disse:

    O futebol brasileiro, tal qual a fênix, renasce e se reinventa. Após a frustação da Copa América, o jogo entre Santos e Flamengo mostrou quanto os jogadores brasileiros podem ser talentosos. Um, já em seu ocaso, mas que deslumbra quando resolve jogar o que sabe: Ronaldinho Gaúcho é um grande jogador, um dos maiores da história sem dúvida. O outro, Neymar, em pleno início de trajetória, mas dono de um talento que poucos jogadores tem ou tiveram (pena que tal talento não tenha sido visto na Copa América). Ambos elevaram o nível do futebol brasileiro na noite da última quarta-feira. Como as antigas religiões, o futebol brasileiro é dualista: o bem é representado pelo talento dos grandes jogadores, como Neymar e Ronaldinho Gaúcho; o mal ase personifica em Ricardo Teixeira e sua trupe.

    Abs,
    Gleidson Lins

  • Gleidson

    O futebol tem arte, apenas o balcão de negócios atrapalha.
    abs
    antonio

 

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