As armadilhas políticas não são eternas

 

Comenta-se, em todas esquinas, sobre o cenário dantesco da Câmera no dominga passado. É um assunto que se multiplica. Não me causa surpresa o comportamento dos mais exaltados em honrar a família. Uma política que se joga na negociação não pode renunciar ao cinismo. Contar com o apoio de figuras contrárias às reflexões, sem autonomia, vivendo na dança da corrupção,deixaria marcas inesquecíveis. A história não se encerrou. Há uma pedagogia ativa na luta que nos dá oportunidade para observar que o capitalismo incentiva a flutuação das mercadorias. Não basta guardar segredos e ganhar milhões na bolsa de valores.O discurso da servidão voluntária não deve ser esquecido. Com estarão os deputados golpistas em 2017? Nem sempre, o lucro aponta na mesma direção.

Dizer que Lula saiu derrotado também não convence. Ele conseguiu mobilizar muita gente, envolveu-se com manifestações e , ainda, lidera as pesquisas eleitorais. Não é um santo, porém não deve ser comparado a Eduardo Cunha e outros que possuem um ar psicopata.Nos caminhos que se desenham as relações políticas passam por cavernas com luzes e sombras. Há os que se sentem perdidos. os que se arrependem, os que contabilizam lucros. As s insatisfações são muitas e expressivas. A questão não é só derrubar Dilma, encenar tragédias, aparecer na Globo. Falta lucidez ou não adianta esperar que os pântanos desapareçam?  Talvez, haja situações nas quais  demônios encarnem para festas profanas e ludibriem os deuses do bem. Será que há o sagrado e a salvação?

Se a democracia demora a frutificar, a violência toma seu lugar. A lógica da exploração domina raciocínios que moram em cabeças intelectualizadas. Os impasses emocionais revelam complexidades. Há raivas, desamores, vinganças. A complexidade é grande, ela exige que sejamos atentos nas nossas leituras. O momento é um detalhe, nunca uma definição fixa e imóvel. Muitos terão recepções negativas, muitos estão com medo, depois de sair da ilha da votação. O desconhecimento produz cabeças nefastas que, um dia, precisarão de socorro. Quem disse que o maniqueísmo correu da história?

É difícil saber o andar mais sensato. A sensibilidade tornou-se rara. O espetáculo satisfaz e muitos se justificam usando teorias sofisticadas. As estratégias são montadas, a comédia dói e não provoca riso. As ingenuidades se desmoronam. Em épocas de crises, vemos o outro lado de tanta coisa. Não se engane com meiguices, favores, declarações sagradas. Não considere, porém, que o juízo final está perto. É importante entender como certas religiões sobrevivem e visitam os mercados. Os tempos se vestem de hipocrisias. O discurso da humildade é uma falácia, para quem se entorpece com a memória da tortura.

 

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2 Comments »

 
  • João Paulo disse:

    A situação toda é muito triste, causa desânimo e frustração. O ceticismo toma conta. E a política é revigorada sob a tese senso comum de que é o reino da falácia, do individualismo e da mesmice. As instituições públicas são novamente desacreditas. E o “tomar às ruas” é resignificado. Talvez vivamos nosso próprio 1989. Não foi isso que fomentaram as grandes mídias ao dar ênfase na pequena diferença de votos? O que mais me incomoda são as análises causais e, consequentemente, reducionistas, como “o pt está pagando por suas alianças”. Não há democracia sem alianças. Há regras no jogo institucional. Conciliar política de mercado e avanços sociais é difícil. Espero que disso tudo aprendamos algumas coisa. E, sobretudo, que saibamos ensinar.

  • João

    Bons comentários.
    abs
    antonio paulo

 

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