As artimanhas do capital, natureza descuidada

Cuidar da natureza não parece ser uma tarefa tediosa. Somos parte da natureza. A vaidade de se proclamar animais racionais não nos tira a finitude. O paraíso pode ser sonhado, configuar nostalgias, mas o mundo ferve. O lucro comanda o espetáculo e para isso se arma de astúcias. Há muitos protestos contra a poluição. Ela não decresceu, com todos os perigos que representam. Vestir roupas da eternidade, achando que tudo se resolve com tecnologias mágicas é desconhecer o que já existe. Basta frequentar uma esquina de um avenida movimentada e observar as máquinas sacudindo fumaça, destruindo a qualidade do ar.

Apesar de tudo, as intenções de acumular, independente da situação da atmosfera, não impedem planos desenvolvimentistas deprovidos de qualquer interesse pelo bem da coletividade. Suape continua cercado de mistérios. Não se tem dados transparentes sobre seu impacto na ecologia. As coisas ficaram mais incertas com a possibilidade de instalação de um usina de energia, condenada por quem estuda o assunto. Os jornais noticiam as controvérsias, o governo tenta salvar o barco, as justificativas minimizam as suspeitas. Mas se esperam esclarecimentos, pois a qualidade de vida se encontra , de novo, na gangorra das relações de poder.

A pressa esconde as artimanhas. Por isso, é difícil conciliar as ansiedades do capital com uma efetiva prática da democracia. A cartola mágica não deixa de criar expectativas e ameaças. Como desprezar investimentos tão valiosos ? Os danos são insignificantes dizem alguns, exaltando a oportunidade de fortalecer a economia diante do quadro das estatísticas nacionais. Pernambuco tornou-se o caminho da mina, saiu do sufoco, ocupa lugar de destaque, atraindo negócios. Nada contra o crescimento, desde que seja acompanhado pela maioria, discutido e repensado quando necessário. A política é lugar de aberturas e não da consagração de valores utilitários.

Estamos no meio de uma sociedade globalizada. As fronteiras são frágeis. Os meios de comunicação nos aproximam , porém não garantem o aumento da solidariedade. Os descuidos com a preservação da natureza não percorrem só o nosso território. Um olhar sobre a expansão da revolução industrial mostra as agonias que passaram e passam as grandes metrópoles. Muita máquina, sem uso adequado, e projetos gigantescos, sujando rios e mares, causando doenças e desertificando imensas áreas, enchem de dúvidas a população sobre seus encantos e necessidades.

O tema, de hoje, se conecta com os debates feitos no post  da segunda. O Brasil luta para sair de certos abismos. Isso é muito bom. Não podemos ficar remando nas turbulências das águas. Não custa atentar para os exemplos do passado. Aceleramos certos projetos, enfeitiçados com seus efeitos imediatos. As eleições começam a ser discutidas com uma antecedência imensa. Portanto, a política mora nas ambições pessoais, no conforto de partidos e ninguém percebe quais são mesmo as concepções do possível candidato. Por isso, é preciso retomar temas, relembrar notícias, pois o poder da ilusão é forte.Pensar na existência de práticas socialistas, quando se fala no sonho de indivíduos isolados, fortalece  a desconfiança . A vastidão do mundo permite diversidades e divergências. Só que é importante visualizar os caminhos, com sensibilidade.

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6 Comments »

 
  • Marcelo de Barros-História-bacharelado 2 périodo disse:

    O que achei interessante nesse post foi a questão de suape,me fez entender que é necessário repensar as idéias de progresso e desenvolvimento,mais sou bem esperançoso quanto a isso e acho que isso deve ser o maior motivador das pessoas ligadas a educação,a fé no futuro e por em prática as idéias.

  • Rafael Ferreira disse:

    A natureza é esquecida e lembrada de acordo com o dinheiro que se perde e se ganha, somos parte da natureza, mas nos sentimos como quase divindades (“a imagem e semelhança de Deus”). Enquanto se lucra a natureza nada mais é do que um bem de usufruto descontrolado pela ilusão de que é inesgotável e que ela nos pertence, mas quando ela destrói ela se torna um monstro cruel e impiedoso, sem nunca as pessoas se questionarem o que fizeram para ela. Os seres humanos se iludem e não percebem o quanto dependem dela e percebem o quanto estúpidos e idiotas são, e não apenas os poderosos financeiramente mas até os mais humildes, na atualidade todos jogam lixo no meio da rua como se fosse natural, muitas vezes nem percebem e muitos de nós nos sentimos incomodados, mas terminamos aceitando ao invés de recriminar, e isso é devido a medo e conformismo.

  • Rafael

    Os interesses termimam causando desgastes que terão repercussões . Diminui a qualidade de vida.Criamos condições de tensão que poderiam ser evitadas.
    abs
    antonio

  • Emanoel Cunha disse:

    É interessante que todo o conhecimento que se adquire ao decorrer de nossa vida é apreendida quando perguntamos questões que muitas vezes não imaginamos e nem temos curiosidades de saber . Passamos a ser educados e impostos, ou até mesmo, adotar várias culturas. Percebe-se hoje que a dimensão desse saber nas diversas práticas de desenvolvimento da humanidade é encontrada no cotidiano de cada sociedade.

    Analise-se o quadro de progresso que desde o século das luzes, até a contemporaneidade configurou na atualidade novas idéias de se pensar na razão e nos preceitos que permeiam o pensamento do homem nas instâncias sociais,culturais, políticas do homem moderno. O capitalismo veste-se de ideologias e como tal pseudos- desenvolvimentos constitui-se na base de sua sustentação. No entanto é preciso enxergar os perigos que são velados através de suas instâncias, e isso se faz através do conhecimento de não só se submeter a aceitar os fatos e sim questioná-los .
    Atenciosamente
    Emanoel Cunha

  • Emanoel

    Como o conhecimento não é neutro, temos que observá-lo com atenção. É importante pensar a cultura na sua multiplicidade. Não há verdades definitivas. Há sempre o que redefinir.
    abs
    antonio paulo

  • Filipe disse:

    A natureza deve ser nossa aliada nos enfrentamentos presentes e futuros. É inconcebível tratarmos de progresso sem falar de ecologia, sem pensar um futuro habitável para o ser humano. Realmente, nós pernambucanos não devemos perder as oportunidades que, agora são apresentadas, contudo, devemos encará-las com responsabilidade social e ecológica.

 

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