As buscas e as histórias

Não há destinos determinados rigidamente. Poderia dizer que não existem destinos, mas criamos histórias com invenções e toques nas convivências cotidianas. Acordar significa que os acasos se acendem e as proximidades anunciam possíveis encontros. Busca-se. O controle sobre a vida é precário, no entanto o movimento nos leva para o mundo.Quem não quer construir sua história? Quem não escuta o lamento do outro, o ruído das alegrias que entram pelas janelas? A imaginação nos inquieta, conta as estrelas sem temer as mentiras, sem deixar de curtir o desejo.

Os significados de cada ato empurram o tempo. Há memórias apagadas, mas há lembranças que trazem notícias sublimes do passado. Não pense que existe um ponto final para as buscas. Entre o nascer e o morrer multiplicam-se arquiteturas, as histórias se afirmam ou mesmo sentem que os outros precisam de profecias para aguentar as incertezas. Quem adivinha seu calendário? Quem desconhece a culpa e sacode as dores para esquecer os desencontros?

Sempre, insisti que a história se faz aproveitando as brechas, derrubando muros, olhando para paisagens verdes e pássaros rebeldes. As contradições não se vão. O esforço para compreendê-las, atordoa. Somos marcados por sociabilidades que atravessam tempos. Como comparar as reflexões de Sartre com as criações de Picasso? As diferenças se alargam, na medida que a complexidade se firma. Difícil assimilar culturas que surgem anulando afetividades. Há uma sedução pela tecnologia, como havia adorações por deuses no passado. Será que a transformação da sociedade consolidará a solidão e a fragilidade do coletivo?

Talvez, a solidão se espalhe, cada um se comunique com meios virtuais. Tudo passa rápido, nem sei o que acontecerá nos próximos anos. A questão dos enigmas causa dúvidas. Sinto que a busca não é vazia. Existem choques, voltam mitos do passado, porém as vacilações dão suspenses as narrativas. O ontem inspira, não está apodrecido. A imagem do paraíso na história provoca e estimula. Ela teria um começo de paisagens ousadas? O pecado original é um disfarce? Quem sabe se amanhã será um outro dia? Cabe ao poeta a ousadia de dialogar com o que parecia tristemente abandonado.

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