As celebrações da vida: o aqui e o agora

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Ninguém nega que o tempo passa. O mais difícil é saber a sua velocidade ou se ele pode ter alguma definição. Jogamos com o passado e o futuro, visualizamos distâncias, mas as incertezas não se apagam. A multiplicidade das interpretações nos deixam atordoados. Não há transparências, mas existe a contínua a rapidez de misturas. O aqui e o agora nos aprisiona. O mundo chama para escutar suas dissonâncias, sem abandonar seus truques de harmonias programadas. Formam-se transtornos, desavenças, num calendário que exige mudanças sem apontar o sentido da vida.

Temos que navegar. O porto seguro, talvez, esteja num lugar a ser descoberto. Muitas histórias pelos mares interiores e os atos falhos lembram as teorias freudianas. Somos animais que não dispensamos explicações, buscamos ritos e durações que limitem nossas inquietações. Porém, a navegação não possui uma cartografia definida. Há mares com cantos de sereias, outros com tempestades frequentes. E as embarcações? Quem as inventa? Quem as afunda? O tempo não se vai sem atiçar perguntas, sem fabricar mitos e pedir que os sonhos habitem lugaras inalcançáveis.

Montamos um calendário para dialogar com as mensagens que se transformam em minutos. Estamos longe dos telefones pesados e lentos. As redes sociais não cessam de produzir informações. As verdades sofrem ataques constantes. Quem nos domina? Quem nos quer como servos? Qual é a ordem que  mantém a soberania dos cinismos? Não adianta se queixar. Na esquina, alguém grita oferecendo benefícios. No jornais, os políticos se digladiam e as pessoas suplicam por afetos disfarçados em corpos sarados. Fazer uma leitura do que acontece perturba e não esclarece.

As  celebrações da vida tomam rumos da história que serão contados com outras escritas  ou marcados  pelo desencantos de memórias. Quem adivinha que as rebeldias se estraguem e as máquinas comandem uma apatia sem fim? As tecnologias prometem espaços de convivência diferentes, no entanto não delimitam as aventuras dos sentimentos. Valoriza-se a quantidade. O calendário tem obscuridades. O ontem pode ser riscado e a vida talvez seja aprisionada pelo agora. O controle é estudado como uma forma de consolidar poderes e não eliminar privilégios.

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1 Comment »

 
  • Rivelynno Lins disse:

    … é, o tempo é realmente enigmático. Qual a ideia que se deve adotar sobre ele? As vezes, acredita-se num conceito europeu ocidental de cronologia, voltado para a atual ideia de calendário que temos. Mas a questão é: outras formas de tempo são possíveis? Num livro de teoria da história, questionamentos sobre outras maneiras de perceber as temporalidades são apresentadas em outras culturas. E perguntas sobre estas novas formas de contar ou não o tempo são problematizadas. Na conclusão de tudo, apenas duas perguntas passam a ser importantes: a atual forma de organizar o tempo e atribuir a ele um valor traz felicidade nas atuais sociedades capitalistas? Ou seria importante observar e adotar modelos de outras culturas e sociedades, em que a liberdade de não se medir o tempo reverbera na liberdade de não lhe ofertar ou não lhe oferecer um valor a ser barganhado mediante um pagamento predeterminado? Pensar sobre formas de como os homens organizam as produções mercantis das pessoas em relação a um tempo capitalizado, produzindo desigualdades artificiais e contínuas, afetando uma grande maioria de corpos humanos infelizes, estressados e sem esperanças diante o povir, sujeitados por minorias autoritárias, torna-se muito importante, pois alimenta o sonho de uma organização social mais igual e fraterna para todos. Já que, as utopias insistem em renascer nos momentos mais tensos da nossa precária existência, artificialmente produzida por uma ideia de mundo voltada para o lucro e não para a paz, o afeto e a harmonia de uma vida mais leve tranquila no lugar em que habitamos…

 

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