As cinzas poéticas (para Mia)

Se meu corpo coubesse a travessia do tempo,

eu rasgaria o mistério da eternidade.

Não há como esquecer as histórias de dentro do sangue, elas correm,

não estão mortas e nem recusam a melancolia da memória.

Tudo se reinventa, sem pausa, se suicida, tem medo

das larguezas da vida e do inferno vermelho.

Não queria o corpo, o medo, o tempo, o desatino.

Queria que tudo fosse uma mentira angelical

e que o sono desfizesse a luz com um único sopro.

É inútil a certeza quando os olhos tocam o desenho da imaginação por acaso.

A água é fogo, a terra é a raiz,

o ar respira a doçura e denuncia a prisão da loucura.

Me balanço numa cadeira azul que não tem dono, suja de cinza, ferida pela guerra.

Ninguém observa que no meu colo adormecessem palavras da cor do delírio sem passageiro.

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