As cogitações políticas soltas no mercado

 

Quem entra no labirinto tem uma viagem garantida. É uma representação geométrica, sempre lembrada, inspiradora de mitos e de lendas sedutoras. Não se trata apenas de uma representação vadia que estimula imaginações. Na vida, há objetividades que nos chocam e consolidam comportamentos, mas há também a possibilidade de inventar lugares e voar. Nem tudo promete consolidar-se. A cultura não se esgota, porque a periodizamos. Os desenhos dos labirintos mostram a complexidade passeando pelo mundo e as dificuldades de firmar alternativas e derrubar prisões.

A passagem do tempo apresenta sinais de perplexidade. É sempre um desafio arrumar acontecimentos, determinar projetos, afirmar que o futuro é o encontro que tanto desejamos. Vejo que a multiplicidade perturba quem pensa em fechar a história. Muitos anunciam fatalidades e elegem destinos. Não consigo visualizar a clareza onipresente As sombras estão se compõem, as cores se misturam, as palavras mudam de significados. O mundo está mais para o acaso e o absurdo.

Não faltam ambições salvadoras, porém as vacilações aumentam, embora procurem esconder seus disfarces. As mercadorias envolvem expectativas. Não há uma acumulação de objetos e novidades sem valor. Os mercados se formam, ditam regras, expandem-se. As teorias existem e provocam debates. Elas não são estáticas. O narcisismo continua  solto, no entanto já estamos no século XXI. Exaltamos as imensas mudanças na tecnologia. Elas impressionam, mas jogam dúvidas, estão no meio dos lucros e dos privilégios.

A neutralidade é uma ilusão que não se cansa de renovar seu método de engano. A política segue suas aventuras não fugindo do seu tempo. Os candidatos se movimentam e não dispensam assessorias. Querem vender alguma coisa? Quanto vale um discurso repleto de ideias democráticas? Quem são os especialistas nas pesquisas eleitorais? Quem cultiva o dom da imagem e sabe o desenho exato do sorriso que parece conhecer o paraíso?

Com tantos ensaios e especulações, as desconfianças aumentam e fazem da política um espetáculo. Um desfile de marcas com custo alto, promessas quase religiosas e astúcias sofisticadas. As palavras se repetem. Algumas possuem magia. Todos gostam de  se dizer democratas. Quem não combate a violência? Quem não mascara os cinismos que tecem os governos? Há uma troca de reflexões ou  o mercado procura a melhor sigla partidária? Ainda prevalece o maniqueísmo?

A coisificação faz as sociabilidades se desfiarem. Cada época traz singularidades. Os individualismos não cessam de buscar espaços. Os malabarismos da hipocrisia nos lembram diálogos das antigas tragédias gregas. Édipo atordoado, cercado de culpas. Prometeu querendo enfrentar os deuses. Os combates não correm da história. São lições, experiências, frustrações. Será que, um dia, os labirintos terão um visibilidade incomum e o julgamento final se concretizará? Ou tudo é apenas uma brincadeira para distrair a loucura?

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