As condições de trabalho, o emprego, a exploração

O Brasil passa por mudanças expressivas. Muito se tem falado da economia. Diante de tantos descontroles internacionais, há euforias soltas na imprensa e declarações entusiasmadas de governos. Não vamos nunca querer o pior. Celebrar os feitos traz ânimo. No entanto, não custa observar outras coisas, não deixar que certas desigualdades permaneçam e olhar com firmeza os camnhos para saldar a famosa  dívida social. É pouco demonstrar que o consumo aumenta e o comércio se amplia. Tudo pela diversidade de mercadorias, pela quantidade de automóveis, em prestações acessíveis, pelas inaugurações de lojas e shoppings. Assim, a máscara esconde problemas que valem mais do que as assinaturas dos cartões de crédito.

Há obras gigantescas espalhadas pelo Brasil. Se a mobilidade no trânsito  é lenta, trabalhadores estão em deslocamento constantes. Seguem os rumos das corporações, trocam a noite pelo dia, afastam-se dos núcleos familiares e lutam para manter seus salários. Há desarrumações de hábitos e costumes culturais que alteram cotidianos de forma brusca. Isso não acontece sem tensões. Aparecem notícias descrevendo greves, insatisfações com as condições de trabalho. No entanto, predominam o silêncio e a estatística ardilosa. Não se aprofundam as análises. O importante é exaltar os milhões , a pressa e o Brasil ganhando prestígio.Seria fundamental pensar como esses trabalhadores sobrevivem nessas obras que mostram o interesse em dar conta de exigência da Copa e das Olimpíadas. O desmantelo que pode surgir depois é uma ameaça. Não desprezemos o presente, o alterar de cada dia dissolve expectativas, coisifica relações.

As construções das arenas, o porto de Suape, as mudanças nas rodovias garantem emprego, mas em que condições de vida? Como anda a extensão da jornada de trabalho e os lugares de moradia que comportam centenas de pessoas? Onde fica a responsabilidade pública e a fiscalização para firmar a transparência tão discutida? Basta só a grana, para comprar a moto, o aparelho de TV para se desfazer dos cansaços comuns? As perguntas despertam curiosidades. Cria-se um projeto de futuro com planejamento de incertezas crescentes. O que corrói a política não é apenas a corrupção,mas também a falta de compromisso com o coletivo e suas condições de vida. A existência de empregos não anula a exploração, Muita vezes, ela se estabelece com justificativas e argumentos que tentam derrubar os desacertos de forma superficial.

Ninguém é ingênuo e deseja um capitalismo generoso e sem competição. No entanto, não há como ficar deslumbrado com as propagandas e achar que estamos no melhor dos mundos. A crise é arrasadora é muitos países. É preciso deslocar ações de solidariedade e não torcer por vitórias mesquinhas, quando o desequilíbrio termina atingindo a todos. Esse culto ao individualismo desmancha possibilidades de rever até onde o desenvolvimento de alguns não significa a falência contínua da maioria. O objetivo da cultura é manter as hierarquias ou questioná-las? Quem se dá bem na corrida para concluir as obras? Quem esgota suas energias para garantir seus desejos de consumo e enganar a dureza que cerca as perspectivas de vida? Quem pode escolher, controla as respostas e  produz verdades cativantes. É o jogo do poder.

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2 Comments »

 
  • Filipe Machado disse:

    O desenvolvimento social dever ser tão importante quanto econômico ou financeiros. Para isso, é faz necessário, mais que nunca, entendermos a fundo que não basta ter condições de arcar com as prestações, más sim de sabermos aproveitar as felicidades que a vida nos apresenta. E, essa felicidade nada tem haver com a quantidade ou qualidade de nossos bens, tem sim, haver com o saber aproveitar a vida. A comunhão com o próximo, com a família, com nossos pais, com nossos filhos…

  • Filipe

    Você foi nos pontos importantes. A vida não pode ser uma contabilidade de achados e perdidos.
    abs
    antonio

 

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