As contabilidades instáveis da solidão

 

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As operações matemáticas nos acompanham. Falar e contar fazem parte do cotidiano. Quem pode esquecer que os números insistem em sintetizar resultados e buscar eficiências? A complexidade da vida exige símbolos e leituras que se modificam com rapidez.Multidões se entendem com informações precárias. Há sempre dúvidas, mas é preciso que a história ande e componha  parceria com as memórias. Quantas vezes amamos com profundidade exaustiva? Quantas vezes fabricamos farsas para enganar perdas? Difícil é juntar-se com a certeza. Uma pergunta não cessa: qual é mesmo o limite?

Nem sempre a quantidade nos alivia, nos traz a trajetória desejada. As invenções culturais se multiplicam, mas não solucionam os maiores impasses da vida. As faltas continuam e os exageros provocam histerismos, raramente conseguem firmar equilíbrios. Portanto, as fragilidades articulam-se no tempo histórico, apesar dos movimentos e das surpresas. As garantias passam, seus prazos estão marcados, os próprios corpos anunciam seus descontroles.

A instabilidade não é a loucura. Não vivemos sem ela,  As pessoas habitam o mundo, encontram-se, repudiam-se, mergulham em sentimentos desiguais e estranhos. Não há como fugir das ações. A fuga leva a um outra trilha, pois as fronteiras são fantasias, apostas do poder. Tudo está, ainda, por fazer. A porta da redefinição está aberta, desde que a ousadia não corra e pactue com a sombra. A argila primordial não se foi do mundo, mesmo que os deuses tardios se escondam em abismos desconhecidos.

Há bilhões de pessoas que , nem sempre, possuem a consciência dos projetos que a historia oferece e que adormecem, muitas vezes,  vestidas do vazio. As contabilidades da solidão são metáforas. Nossas moradias têm ruídos, no entanto há silêncios que nos empurram para construir manobras de exclusão ou estranhamentos. A solidão pode ser a negação do outro, mas como destruir o ir e vir dos sentimentos? O que a envolve é a escolha, para quem percebe que a diversidade  joga com o conflito.

A matemática sobrevive e ganha complexidade. A gramática quebra regras, para que não se repitam as escatologias.Elas movimentam a cultura, porque não basta estar no mundo. Cada solidão pode ter seu tempo indefinido, porém não deixará de ter uma história. Não vivemos  o passado como um reflexo do que  já morreu. A solidão ajuda nos deslocamentos do tempo. É um ponto estratégico de observação. Se a tecnologia se sofistica, monta redes sociais, a solidão funda outros desenhos. Quantas vezes curto sozinho minha aventuras no facebook? Quem é outro:um simulador, um inventor , um impaciente?

Quantas pessoas  circulam com dificuldade de escutar sua  voz? O que me faz entender uma imagem e esticar minha simpatia? Por que me escondo, faço a psicanálise de amigos mascarados? Estendemos a solidão, temos armadilhas de ataque e de defesa? No meio de tanta coisas, de pessoas que preferem sacudir fora qualquer pergunta, há uma esquina sem luz, onde imagino quem eu sou. Sei que os cenários da história não se esgotam. Tudo isso, dentro de um só corpo, inquieto por sentir que não há forma definitiva. Os compartilhamentos revelam, muitas vezes, o medo da contabilidade da solidão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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