As culturas, os pertencimentos, as modas, os vazios

A incompletude não é uma invenção vadia. Estamos longe da onipotência e os deuses descansam dos pecados que também cometeram. A sociedade roda. Os conflitos aparecem com frequência. Nunca se consagraram tantos medos e tantas inseguranças. Cada aventura significa uma ameaça sem definição. As polêmicas renascem, a memória se aquece, os preconceitos se agitam. Será que modas exclusivas surgirão de acordo com as cores de cada um? Não sei. Vejo que tudo é motivo de luta ou de aborrecimento. Parece mesmo que as utopias viajaram para o deserto.

Fico, às vezes, desconfiado quando me visto. Será que o azul é perigoso para quem defende o socialismo? Cunha gostava de usar gravatas? Como posso ser original e evitar desentendimentos? A complexidade nos acompanha. Temos restaurantes vendendo comidas diferentes. Há quem goste de pizza, outros de tempero peruano. O mercado é imenso. Portanto, as escolhas estão soltas no mundo globalizado. A China se tornou o lugar do futebol. E o carnaval passa por mudanças ou continua cercado pelas marcas de cerveja? Há a autenticidade inabalável?

Os usos e os abusos custam estudos antropológicos e rivalidades incríveis. Quem esnoba é agredido ou marginalizado. A cultura lembra etnocentrismos e colonizações. Há atitudes ofensivas, desprezos, excessos. Muitos fazem da moda uma forma de marginalizar o outro ou esvaziar manifestações de pertencimento. Sou brasileiro e gosto de jazz. Conheço pessoas que não suportam samba e não comem feijoada. Coisas da vida. Quando o desrespeito se concretiza é bom saber a razão da sua existência, mas a diversidade impera e confunde. As respostas fertilizam dúvidas e as redes sociais dançam com palavras agressivas. Será que o virtual não é uma desculpa?

Não é difícil ver que as fofocas flutuam e os escândalos estremecem as redes sociais. Há um culto à inutilidade e a falta de reflexão. O efêmero manda mensagens. A política está desgastada, a justiça tonta e esperta, Freire é ministro, Gilmar ironiza com a máscara do Supremo. É preciso está atento às trocas culturais, entender os desvarios, entrelaçar a moda com os anseios capitalistas. A raiva deixa marcas nas relações sociais. Há artigos nos jornais que buscam idiotizar e elogiam figuras corruptas. Muita gente arrependida do seu passado não se conhece e risca agendas. Conheço uma menina bonita que alimenta desencantos. Que carga! O avesso gira e cogita salvações. A beleza não é tudo e a raiva é um ironia feroz. Há palcos no cotidiano.

Se a sociedade não avalia as incompletudes, ela se prepara para mergulhar num abismo sem fim. As singularidades não são propriedades privadas. O crescimento se dá, quando as diferenças não agridem. As aprendizagens nos fazem mais próximos e as hierarquias são perigosas. Sinto que há esquizofrenias perambulando e policiais angustiados com suas profissões. Quem  está tranquilo? O caos se mexe com vigor e a verdade assiste ao seu velório. O mundo se nega a construir um outro no espelho.Quem compra? Quem vende? Quem está solto na angústia de ser humano? O buscar-se, ainda, corre pelo mundo. E a fantasia desbota.

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