As dificuldades e os enganos do criador

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Inventar a história é uma tarefa sem fim. Nem Sísifo, gostaria de enfrentar tanta dificuldade. Não sei quem criou espetáculos incríveis, naturezas fantásticas, seres narcisistas, violências frequentes, erotismos múltiplos, cretinices sofisticadas. O dicionário é imenso. O mundo é vasto, o criador cansou e desapareceu. Aparecem outros, com sentimentos renovados e promessas estéticas maravilhosas. Já ouviram falar em Godard, Gláuber, Neruda, Drummond, Picasso, Kundera… Não esqueçam que existem outras figuras que abalaram a aventura histórica. Acredito que conhecem Guevara, Napoleão, Platão, Kant, Nelson Gonçalves, Messi, Joaquim Cardoso. E Nara Leão, Lou Salomé, Nina Simone, Carolina Ferraz, Clara Nunes, Cecília Meirelles, Gal Costa, Maria Bonita… Muita gente, sexualidades, afetos, poderes, desejos…

Há complexidades. O criador cometeu enganos ou era distraído? Fez uma confusão por causa de uma serpente e anulou o paraíso. Não conseguiu se contentar. Deixou Adão e Eva numa situação precária, apaixonados por uma fruta vermelha. Ficaram suspenses e dúvidas. As religiões se desentendem e mantêm riquezas. Os templos se destacam nas avenidas como shoppings centers com cadeias internacionais. Já mediram as propriedades de Macedo? Um homem que atravessou o capitalismo com encantos consagrados. Possui carisma, zomba, optou por ser ídolo e um messias desalmado. É que penso, para a surpresa de alguns, sem a ambição de inquietar quem viver na melancolia de um baseado estragado. Está sumido nas agonias do pecado capital.

Surpreendo-me com as continuidades históricas. Não se assustem. Não vou defender que a história é uma calmaria ou uma repetição nada agradável. Mas reparem: sacudiram bombas atômicas, crucificaram escravos, mataram crianças, sacrificaram utopias. Tudo isso não existe mais? E os refugiados, a legislação da previdência, os sermões de Magno, a opiniões políticas da Globo News. Há relações que se reinventam de forma sutil como novidades estranhas. Os historiadores tentam superar os impasses teóricos. Conversam com Certeau, debatem com Castoriadis, admiram os conceitos de Foucault, costuram imaginários, acontecimentos, operações historiográficos e se soltam de dogmas para se aprisionarem nas adivinhações. É divertido, merece prática.

Na criação, as arquiteturas podem falhar. Os conteúdos pesam diferentemente das formas. Tudo não foge das variações que nos fazem diferentes, mesmo numa sociedade de massas afônicas. Gritamos. O desequilíbrio é onipresente, apesar de linhas retas e desenvolvimentos celebrados. Há tragédias nazistas que intimidam Sófocles. Os gregos não suportariam as atrocidade de Hitler e não se embriagariam com os vinho do Vale do São Francisco. Talvez, curtissem os bolos de rolos açucarados que invadem as esquinas. Isso é especulação, saída das agonias, para desfrutar do lúdico. É um desafio para buscar a geometria da história. Será que ela se consolidará e sonhará com um outro criador? Não sei. Por isso,vamos caminhar. Na próxima esquina, constroem outra farmácia. O criador e a criatura estudam sobre a veracidade da esquizofrenia. São assinantes das incompletudes.

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