As disputas acirradas: tensões e deboches

 

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Quem acenava com uma sociedade organizada com cuidados solidários, deve estar frustrado. Aqueles ideais iluministas, aquelas críticas aos genocídios, as utopias tão cantadas  por suas generosidades se encontram em estágio terminal. Os elogios ao desenvolvimento tecnológico não compensam os desencontros e os deboches permanentes. Planeja-se o desmanche. A abertura  para o diálogo é mínimo. A referência é o desgaste dos argumentos e a eficácia dos ruídos. Há descompromisso visível que coloca todos e todas nas moradias da perplexidade.  O medo dá ritmo a sons enfeitiçados.

Parece que a opção por uma populismo messiânico vingou. Não se comenta com discernimentos.O objetivo é o riso solto, as ruínas escancaradas, as propostas sempre patrocinadas. Muitas denúncias, pouca ação para desvendar tantas corrupções. Criam-se fantasias ou a sociedade está se afundando? Com meios de comunicação acelerados as disputas  se acirram com manchetes sensacionalistas. O pior: os desmentidos desfazem o que se mostrava verdadeiro e as razões se escondem no primeiro abismo.

Nenhuma ficção previu as agonias atuais. Kafka descreveu absurdos burocráticos, Camus exaltou as dificuldade de se fugir do absurdo, mas as relações sociais se globalizam produzindo tensões inesperadas. Se no Brasil se busca uma reforma favorável ao capital, na Europa está difícil acordos e o número de refugiados aumenta. As contradições explodem. O inesperado assusta. Uns querem a volta da monarquia, simpatizam com o holocausto, outros escolhem salvadores, messias iluminados. Não faltam análises que denunciem a lucidez fragilizada, porém o descompromisso ganha espaço.

O tempo histórico se contrai  e se estica com fugacidade. Quem fica encantando com narcisismos consumistas? Quem deseja a volta de costumes preconceituosos? Quem acredita que os investimentos na educação são vazios? As ambiguidades não assombrosas, pois se aposta num caos. Como será o futuro? E as sobrevivências? A desigualdade se multiplica, a violência fabrica sutilezas, propõe-se uma revisão sombria da história. O descontrole é soberano. Tudo solto, com profetas totalmente tomados  pelos ressentimentos. Celebra-se a possibilidade de  oprimir o outro. As portas se fecham, pois a suspeição anda nos cantos mais remotos de cada estrada.

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2 Comments »

 
  • Rivelynno Lins disse:

    …a desesperança nos toma, parece que todos os caminhos de luz estão interditados. O código dos mosqueteiros tão belo, tão solidário em outros tempos parece que perdeu o seu sentido, a sua solidariedade. Era tão gratificante ouvi-lo e pratica-lo, inventado num romance europeu, nos períodos do fortalecimento do regime absolutista a sua máxima era “um por todos e todos por um”, representava a solidariedade extrema diante do perigo eminente. Hoje, no século XXI, o vivenciar dos 100 dias da Era Bozo, o código dos mosqueteiros parece não fazer mais sentido, agora é cada um por si. E se pudéssemos resgatar outra máxima, para pensarmos sobre o nosso hoje, daquelas que se tornaram clássicas na história da humanidade e na luta por uma sociedade melhor, destacaria a do século XIX que chama os oprimidos para a grande revolta, a grande revolução em relação a exploração, o momento de dizer chega, basta, quando a consciência dos explorados emergeria e as palavras “trabalhadores univos” faria a grande mudança, mas hoje, no meu entendimento, o trabalhador perdeu a capacidade de entender quem é o governante tirano e mal caráter e quem é o governante que lhe garantiu direitos quando estava no poder…

  • Está mesmo solto na escrita.Isso é m
    bom.
    abs
    antonio

 

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