As drogas conectam violências com desamparos

A violência não é incomum, não escolhe período histórico para se estabelecer. Ela muda suas formas, mas permanece destruindo sociabilidades. Ela possui muitos significados. O espaço é pequeno para nomeá-los e discuti-los amplamente. Nos tempos da Aristóteles, havia disputas, conflitos, guerras. O século XVIII conviveu com revoluções e estimulou transformações políticos. Havia desejo de derrubar a escravidão e estimular a participação da coletividade nas decisões políticas. Nem tudo deu certo, a agressividade tomou o lugar dos diálogos e os sonhos sucumbiram. A história não dispensa as dissonâncias. Não é à toa que Adão e Eva gostaram da maçã.

Nos tempos atuais, a complexidade é uma constante. Há ideias diferentes que não suportam tolerar certas culturas e prometem eliminá-las. Usam-se sofisticações para consagrar fascismos disfarçados. Tudo acontece e nem tudo pode ser esclarecido. O vaivém desnorteia. As invenções tecnológicas conseguem lugar especial e são ambicionadas pelos poderosos. O conhecimento é um valor de troca indiscutível. Portanto, a violência ganha formas inusitadas.Observe  as práticas sociais do século passado. No entanto, nem tudo é renovação. Os reencontros não deixam de existir.

A quantidade de drogas que circula na sociedade de consumo é assombrosa. Segue o caminho das fórmulas, ditas científicas, e se espalha com  velocidade incrível. Os pontos de droga são mapeados pela polícia, localizam-se em escolas, em bares, nas esquinas, em casas noturnas… Não há uma cartografia definitiva. Mobilizam uma rede de pessoas e trazem fortunas. Afirma-se que uma verdadeira indústria de drogas se agiganta. Atinge grupos sociais das chamadas elites e ameaça o equilíbrio necessário das autoridades. Geram confusões, desacertos, desconfianças. A droga sobrevive, apesar dos noticiários que contam das prisões e dos esquemas de controle.

A violência se conecta com a droga. Há crimes praticados sob o efeito das viagens químicas. O descontrole e o vício exigem sequências. Pais matam filhos, indivíduos se desesperam, as políticas de saúde se reorganiza. O prejuízo traz a revisão de conceitos. O pior é que a sociedade exalta o prazer, não percebe a importância dos limites e troca a afetividade pelos bens materiais. Constrói uma atmosfera de violência que ela aprofunda com seu apego pelo conforto e pelas vitrines. A pulsão de morte sente espaço para desfilar suas ações e o inconsciente apronta suas armadilhas. Depois, crescem os sustos e as reclamações. As religiões aproveitam para desenhar cenas do fim do mundo.

É um assunto que retorna e não cessa de preocupar. As populações se estendem e os costumes buscam a comunicação globalizada. Inventamos relações que estão longe do cotidiano das sociedade rurais. O mundo é outro e tem pressa. É difícil segurá-lo, quando o prório conceito de humano vem sendo questionado. Daí, as fugas, a fragmentação, o esvaziar da autonomia. A infantilização é avassaladora. O território da violência se expande e se utiliza de artifícios simbólicos e concretos. O mercado encanta, engana, acumula. Se a grana anda por estreitas e largas ruas, a afetividade submerge e respira ares contaminados pelo desamparo. As astúcias promovem o bem-estar do lucro.

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2 Comments »

 
  • Monique disse:

    Os valores estam confusos nas tramas dos jogos de interesses.A violência é a consequência da imensa incapacidade, que se tem hoje em dia, de ver o outro como semelhante.É como os subjulgados se fazem visíveis e reagem à toda desigualdade proporcionada por um ideal superficial de globalização.
    Abs.

  • Monique

    É difícil costurar os remendos. São muitos, mas somos responsáveis também por eles. Mas maioria é silenciosa demais.
    abs
    antonio paulo

 

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