As dúvidas da rebeldia

As ruas fervem com protestos.Há inquietações violentas, desesperos dos excluídos, ganância e opressão dos privilegiados. Sente-se a insatisfação globalizada. Poucos se livram da desigualdade e outros buscam sobreviver. Sobra, porém, desconfiança. Se há rebeldias, lutas nas ruas, presença de repressão, sempre se pergunta quais os interesses estão ganhando espaço.É inegável a exploração inibindo e agredindo os desfavorecidos. Mas o que aconteceu , no Brasil, com a mistificação de Jair,provocou especulações e trouxe um quadro que atiçou análises nunca vistas. Há quem queira acirrar as disputas, para promover reformas neoliberais justificadas pela existência de desgovernos. Quem formula os projetos políticos ou imagina transformações na convivência social? Consumir é o paraíso que inventa ilusões globalizadas?

As notícias se mostram desencontradas. Há turbulências em vários países. É preciso não se enganar com certos movimentos. Desmontar a politica , com cores fascistas, é fundamental. Anunciar que há misturas, para confundir politicamente, não deve ser esquecido. Arruinar os planejamentos capitalistas e suas armadilhas não é algo que acontece repentinamente. Seu poder de resistências é incrível. Miná-lo exige persistência, denúncias, solidariedades, observações nas ações sociais que radicalizem certos caminhos. A imprensa se vale de seu jogo de novidades distraídas.

As artimanhas existem para deixar a sociedade perplexa e contam com o apoio de milícias digitais. Se tudo se resume a garantir as acumulações da grana, nada assegura que a coletividade se firme e entenda sua possibilidade de mudar a história. Portanto, resta perguntar quem efetivamente sacode as tradições, arranca as máscaras, ameaça a servidão, desmascara os discursos cínicos. As estratégias se modificam e não estamos nos anos 1960. Os partidos se fragilizam, as intrigas pessoas se avolumam, os escorregões são ensaiados, as utopias sofrem metamorfoses. O mundo é vasto e não se cansa de surpreender.

A sociedade do espetáculo não vive apenas da indústria cultural e suas sofisticações. Boa parte da sociedade se empolga com as imagens, desenha aventuras, adormece nos sofás fantasiando a dor do outro, fabricando indignações infantis A rapidez das informações podem esvaziar as críticas. Consolidar as rebeldias convoca paixões, mas não menospreza a lucidez. Há teorias apodrecidas. Distinguir os negócios das coragens éticas faz parte da luta que não se deixa atrair pelo vazio.O efêmero transforma o apocalipse numa festa. As correntes de Prometeu ainda existem e satisfazem os ressentidos. As rebeldias não devem ser uma sucessão de raivas soltas para inventar desequilíbrios. Não se acanhe. As transgressões são necessárias e trazem olhares mais profundos.

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