As estratégias de dominação: a natureza descuidada

Tecer os fios compridos da história exige astúcias frequentes. Nós fazemos parte da natureza, mas construímos estratégias de dominação que destroçam harmonias e paisagens. Muitos gostam de celebrar certas conquistas riscando do mapa a sensibilidade, mas consagrando a capacidade de explorar e acumular egoísmos. Ficamos soltos entre os absurdos e as magias. Mistérios, divindades, autoritarismos querendo assustar os humanos, numa incessante busca de respostas complexas e ousadas. É uma longa travessia. As idas e vindas trazem perplexidades. As permanências perturbam os otimistas, pois as desigualdades não se vão e a fome tem registros imensos. Para aonde segue o mundo que a ciência pensou decifrar e transformar com qualidade?

Fabricamos objetos fantásticos, mas  vivemos impasses torturantes que não são superados. A natureza apresenta-se despida de encantos, devastada, poluída. Os desastres ecológicos não fogem do cotidiano: enchentes, incêndios, desmatamentos… O limite é desconhecido, os predadores argumentam como soberanos do universo. Criam-se impérios de dominação que se estendem por territórios e aprisionam resistências coletivas. As ruínas se espalham, com seus disfarces atômicos e suas fórmulas químicas mortais. Nem tudo representa destruição, contudo é forte a agressividade, o descuido com o outro, a sede acumular, o esforço de anular os desejos de equilíbrio. O discurso dos vencedores não se acanha dos excessos e da falta de ética.

Não estarão, aqui, delineados projetos de salvação. Como visualizar uma harmonia absoluta se ela nunca existiu apesar de morar nos futuros ambicionadas por muitas religiões e utopias? Muita gente esquece que as transcendências existem, porque a incompletudes acompanham o humano. É preciso que haja devaneios para amenizar os desencontros e diluir o desespero de certas dores. Sabemos que os valores sacodem épocas e testemunham desacertos cruéis. Sabemos, também, que não podemos construímos com datas marcadas, nem eternidades definidas. É a incerteza que traz as inseguranças e os ânimos. Ela desloca na argila molhada da ambiguidade.

Portanto, o movimento da cultura não preenchido por fatalidades. Se as estratégias de dominação fermentam desgovernos, subestimam a força da transformação qualitativa, mostram que o mundo está dividido e os equívocos desenham amores que não existem, pactos sociais mascarados com ornamentos perigosos. O caminho não é único, mas o vencedor insiste na sua ladainha. Quer promover a ilusão e concentrar poder. Há muitos meios de esconder as ruínas. A mídia ajuda, com suas cores, produzidas para alimentar quem cultiva uma ingenuidade descompremetida e apática.

Os humanos se chocam. Articfiializam o ambiente em que vivem. É difícil o que significada necessidades diante de tanto lixo e da inutilidade de tantos luxos. Por isso que a violência não só a armação das guerras. Há uma autodestruição que se envolve com solidões depressivas. A linguagem multiplica significados. É uma exigência da sofisticação da cultura, das tramas da complexidade, das montagens das hierarquias. Os estranhamentos alicerçam buscas por pertencimentos de forma angustiada. Não é lacuna que nos  acena para o sufoco da esperança. É a rede que tecemos para centralizar o que inventamos, a minoria amarrando os poderes e traçando as instituições que lhe acodem.

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