As expectativas no mundo das ansiedades diárias

    

Continuam as especulações políticas. As incertezas deixam os candidatos  receosos. A política tem muito do jogo, da negociação, da paciência. O melhor é que prevaleça o poder de persuasão. Resolver pela violência é a falência da democracia. Cada programa político tem suas soluções, mas também suas lacunas. Por isso, escutar é uma grande arte. Ir pelo caminho da arrogância é mesquinho.Gritar pela liberdade é uma coisa. Gritar para calar seu adversário é outra coisa.

A  corda bamba balança mostrando as indefinições. São importantes a saúde,  a educação, a qualidade de vida. A natureza precisa também respirar. Sua destruíção é quase um suicídio. O imediato não revela a complexidade da história. É preciso conjugar idéias, não ficar deslumbrado com os encantos das vitrines. De nada adianta encher a casa de objetos, se a ansiedade alimenta infortúnios e a corrida pelo dinheiro esconde afetos.

O lugar de transformar os desacertos requer entendimento, transparência e sabedoria. A verdade é transitória, merece cuidado, pois há os que a proclamam sem reflexão, movido a interesses. Observar o entrelaçamento dos tempos e das opiniões é uma saída. Pensar que os conflitos podem ser eliminados, magicamente, é brincar , sem criatividade. As diferenças persistem, porém existem meios de serem atenuadas. Um mundo homogêneo seria frustração e perda de ousadia.

Se as agitações caminham juntas com as escolhas eleitorais, elas não abandonam as outras estradas da vida. Violência urbana, excesso de máquinas nas ruas, coisificação acelerada do humano atrapalham a vontade de exercitar relações mais amistosas. A competição desenha cartografias que fragilizam as compreensões. Ela se estende pelo cotidiano, entra nas moradias, dá o tom dos anúncios e das manchentes. 

As repetições têm seu lugar.A torcida do Náutico está na onda de controlar a desesperança. Quer apostar no novo técnico, mas os desfalques, por contusão, enfraquecem a equipe.  Já o Sport não olha para atrás. Luta por vitórias, próximo da vaga para  série A. O Santa, longe das conquistas, prepara-se para sua eleição presidencial. Espaços abertos para dúvidas, no entantos desespero não resolve, apenas desmancha,  mais ainda, qualquer chance de redenção. Vamos ver se o marasmo não se aprofunda.

O São Paulo tomou atitude, usando uma expressão da moda. Contratou Paulo César Carpegiani. Não aguentou tantos insucessos. Baresi ficou no desejo. O tricolor tem estrutura grandiosa. Dizem que o salário do professor do Morumbi chega a 300 mil reais. O Flamengo também busca se acertar. Na Gávea, os problemas são maiores, pois há desencontros administrativos profundos e acabou de demitir Silas. Por outro lado, fofocam que Adílson Batista está em baixa. O futebol é campo de notícias e o Corinthians, sempre, na linha do tiro.

Pois é. As ansiedades diárias fazem parte da cultura contemporânea. Sempre há sobre o que falar, com estardalhaços ou com sutilezas venenosas. Não se poderia visualizar um mundo silencioso, com tantas opções e regras para medir. Quando as eleições terminarem, outras questões aparecerão. Freud que o diga. Olhar os outros é parte integrante das nossas contemplações. Arranhar os espelhos e ofuscar o brilho de certas imagens é desaquecer a convivência social.

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3 Comments »

 
  • Professor Antonio,

    Sou seu aluno de História, gostei bastante desse texto, tratando as expectativas no mundo das ansiedades diárias. Esse momento consigo mesmo com o silêncio, com a angústia, é bastante temeroso para muitos, ainda mais em momentos de eleições, de “política” (ou não, rsrs).E como disse: ‘Não se poderia visualizar um mundo silencioso, com tantas opções e regras para medir’; de fato, pois estão aí as especulações políticas, a “necessidade” do entretenimento e os vangloriados meios de comunicações (Jornal Nacional, CQC, enfim…). Muito bom o texto, não tenho muita prioridade pra julgar, mas gostei bastante. E Freud que o diga, olhar os outros é parte integrante das nossas contemplações. abraços

    Aurélio Menezes

  • Professor Antonio,

    Sou seu aluno de História, gostei bastante desse texto, tratando as expectativas no mundo das ansiedades diárias. Esse momento consigo mesmo com o silêncio, com a angústia, é bastante temeroso para muitos, ainda mais em momentos de eleições, de “política” (ou não, rsrs).E como disse: ‘Não se poderia visualizar um mundo silencioso, com tantas opções e regras para medir’; de fato, pois estão aí as especulações políticas, a “necessidade” do entretenimento e os vangloriados meios de comunicações (Jornal Nacional, CQC, enfim…). Muito bom o texto, não tenho muita propriedade pra julgar, mas gostei bastante. E Freud que o diga, olhar os outros é parte integrante das nossas contemplações. abraços

    Aurélio Menezes

  • Aurélio

    As visitas são sempre um incentivo. Dão fôlego ao blog e é uma pena que, às vezes, muita gente tenha preconceito com certas coisas. Na vida, está tudo se tocando e o historiador não deve perder de vista esse entrelaçamento. Grato.
    abraços
    antonio paulo

 

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