As histórias: as fragmentações que sacodem o mundo

 

Dividimos o tempo para melhor entendê-lo. No entanto, há também certo pragmatismo. A complexidade social exige atenção, pois não há como acabar com as lutas políticas. Elas ganham conteúdos estranhos para quem pensava num progresso de uma ordem solidária. O perfume dos cargos é o encanto maior. Falam de prejuízos, de perdas, porém, na prática, muitos correm para assumir lugares e fortalecer privilégios. As lamentações configuram cinismos bem elaborados. Eles se cercam de esquemas de conversas e de especialista em fabricar promessas. Dizem que governar, agora, é ser esperto para sentir os caminhos da próxima eleição.

Se sonhos se desfazem não há como retomar outras rotas. Ficar curtindo pessimismo é desagradável. Para que viver anunciando que o mundo está se acabando? Que existem desacertos não se pode negar. Os projetos históricos falham. As culturas não cultivam o homogêneo. A modernidade vestiu-se com os paradigmas do iluminismo, acreditou em revoluções, queria um mundo sossegado. A violência não se foi e as astúcias da razão comprometem pactos, colocam a democracia num lugar difícil. Talvez, uma crise que atravessa momentos passageiros. A sociedade passa por crises desde que se formou. Há mesmo mudanças de perspectivas e valores.

As polêmicas se acendem. Intelectuais entram nos espetáculos das ideias, com apoio dos meios de comunicação. Não é só uma questão acadêmica. É preciso propagar as reflexões ou acomodá-las como mercadorias. No mundo informatizado, a política e a filosofia frequentam espaços antes estranhos aos pensadores. Portanto, a mistura não cessa. A simultaneidade atrai. Entramos noutro ritmo. A arte busca modelos no passado, repete o poder das bruxarias, enaltece as aventuras dos mitos antigos. As fragmentações acontecem, mas elas são, às vezes, fatais. Um pouco de paciência nos faz ver como as diferenças se tocam. Não é à toa que Maquiavel e Aristóteles costumam ser lembrados.

Os que defendem a pós-modernidade questionam e são questionados. A pós-modernidade não é a superação da modernidade. Ela significa que  hábitos estão surgindo,  drogas se renovam de forma veloz. O  descartável se multiplica e a confusão se institucionaliza. Traz a desconfiança no progresso, desenha repetições, risca paradigmas consagrados. É importante observar tudo isso, sem ressentimentos. Hoje, discutimos Freud, Marx, Nietzsche, Benjamin, Baudrillard, Foucault. As contradições perduram. Aa sociedade procura  saídas. Estamos  embriagados com o fascínio poderoso da razão?

A busca é constante e o novo surpreende. Compreender é um desafio. Por isso, o trapézio não se aquieta e os voos  são ousados. As verdades se rompem, mas não podemos viver sem a sociabilidade. Escutar o outro parece quase impossível, no entanto a mudez trava o afeto, pois o silêncio  se omite diante de alguns mistérios. Entre dúvidas vamos desenhando sobrevivências. O que assusta é o individualismo espaçoso e a intolerância dos narcisistas. As apatias casam-se com a mediocridade. Se trabalho extingue sua possibilidade de criar, estamos na caverna dos abismos fechados. Quando os tempos dialogam, as proximidades nos ajudam a ver onde as fragmentações se tocam. O mundo das mercadorias é um fetiche, mas não é eterno, nem absoluto.

 

 

 

 

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>