As histórias não são fixas, nem para sempre

As recorrências ao futebol fazem parte das armações do blog. Gosto de misturá-lo com outros acontecimentos que a maioria julga importante. É uma forma de mostrar que as relações se entrelaçam, não há nada solto, buscando moradia para se esconder. O mundo se apresenta, todo dia, e a indiscrição toma conta do noticiário. A intimidade fica atônita diante de tantas fofocas. O sangue corre, pelas páginas dos jornais. A paz é simbólica, pois a luta pela sobrevivência não deixa as inquietações silenciarem.

Pois é. A CBF, poderosa e cheia de grana, resolveu alterar a programação dos títulos mais importante do futebol brasileiro. Numa linguagem mais sofisticada, conseguiu redefinir o passado e atiçar a preguiça  de certas memórias. Provocou polêmicas imensas. Patrícia Amorim, presidenta do Flamengo, está indignada. Promete agitar a seu jurídico e ir ao confronto. Aquela velha disputa  que perdeu para o Sport. Isso ainda tumultua a sensibilidade do clube carioca. A vaidade não tem tamanho.

Não sei os interesses que comandam a atitude do senhor Ricardo Teixiera. Não nego que transformou expectativas e redesenhou todo uma quadro de conquistas e troféus. Que ambições movem tal comportamento? É tarefa para pitonisas e não para um blog cercado pelas ressacas do Natal. O que me chama atenção é que houve uma pesquisa histórica, para justificar toda a manobra e dar-lhe status científico. O tempo foi visitado, com consulta à imprensa de época e procurou-se firmar as provas. Festas para alguns, lamúrias para outros.

É  mais significativo , ainda, pelas angústias políticas que está criando,  as ameaças de Julian Assange de produzir mais uma ação cibernética. Uma forma de guerrilha virtual, porém atuante e transgressora. As grandes potências guardam seus segredos e ficam temerosas com os avanços das denúncias. As hipocrisias são desmascaradas e a luta política ganha outros territórios. Mais uma vez, a história sofrerá releituras e as relações de poder abaladas. O absoluto é um sonho, para quem pensar em manter autoritarismos ou fazer da diplomacia um jogo de opressões.

As mudanças nas interpretações do que foi vivido merece atenção. Elas se sucedem e, muitas vezes, a maioria não nota ou emudece. Aquilo que se conta tem repercussão e modifica hábitos. O mundo globalizado reforça a velocidade dos meios de comunição. Por isso que as notícias se espalham numa quantidade desmedida. Muitos não percebem a profundidade do que anunciam e as aventuras que cada momento organiza. Distraem-se com o banal, com o sorriso falso e os enganos de uma massificação sufocante.

Não precisa de estudo acadêmico para se inserir na reflexão, mas compromisso com a sociabilidade. Se o olhar desatento se reproduzisse com frequências, a minoria  abandonaria seu posto dominante. As suas sutilezas são permanentes. Lembram os antigos filmes de ficção científica. Não é apenas a fabricação de guerras e armas que assustam.As armadilhas cotidianas exigem que cada um tenha seus instantes de desconfiança. Há inocências injustificáveis e euforias vazias.  O passado vai e volta e há quem queira administrá-lo. O disfarce pode ser pior que o boato.

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