As histórias se cruzam

Minha história tem singularidades. Nem tudo me toca, mas há coisas que batem nas agonias do mundo. Reações diferentes, amores desiguais, afetos fluentes giram em torno de momentos que passam com ritmos diferentes. O mundo é vasto e a heterogeneidade é imensa. Há estranhamentos. Quem já escutou notícias de intrigas sem soluções? A quantidade de ressentimentos cresce com a política fervendo ambições e mascarando interesses mesquinhos. Vivo minha história com certas dores e surpresas, porém não posso me isolar. As solidariedades aparecem, como também as invejas e antipatias. Confusões cotidianas.

As expectativas nunca estão ausentes. Não pense que controla as emoções e solta suas vaidades como um deus delirante. A história brinca com os tempos, não se resume a um calendário definido. Não se esconda, sacuda a poeira e inquiete suas verdades. Suas singularidades trazem seguranças e guardam temores. Portanto, o reino da ambiguidade existe desde Adão e Eva, mesmo que as teorias freudianas procurem decifrar as inúmeras ansiedades que nos cercam, A humanidade não sossega, no entanto segue questões que abalam sua paciência. Os espaços das esquizofrenias é perene.

Esperar uma história que converse com as utopias, sem acasos, é uma ilusão. Há pessoas que entram no meu coração e outras cheias de armaduras. Não me afasto dos espantos, nem amo todos os perdões. Observo os desfazeres, não deixo de olhar fantasmas , navego por mares sombrios. Não tento desenhar o mapa da história, nem conhecer a extensão de seus abismos. Há instantes medonhos e o paraíso é sempre um sonho. Estamos arrumando objetos que surgem no meio do caminho e expulsando medos que atrapalham o riso descompromissado.

Não abandone suas singularidades e analise os entrelaçamentos. Os outros estão pertos. Alguns tentam perturbar e diminuir os aconchegos. É isso. Não há muito o que dizer e o ciclo das palavras habita todos os escritos. Não o trate com despreze. Converse, risque, conte. O tamanho do que se vive não possui exatidão. Há desgraças ou horizontes repletos de luzes. Não se abrace com as pretensões. A história é sucessão e descontinuidade. A porta pode estar solta e a casa vazia. Não cabe traçar a arquitetura dos apocalipses. Despertença-se.

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3 Comments »

 
  • Rivelynno Lins disse:

    …pensar a própria vivência na história, permeada pelas inúmeras vivências dos outros e das vivências coletivas, assim nos fazemos indivíduos de um processo sempre em movimento. É importante ressaltar os regimes de historicidade, de tempo, eles vão e voltam e o tempo que vivo, não necessariamente é o tempo do colega ao lado. A literatura, o cinema, as artes podem me fazer viver um outro tempo, um outro momento, assim como um espaço geográfico com novas culturas e ordens sociais diversas. As subjetividades são diferentes e as subjetividades dos outros e do coletivo também nos tomam e também nos fazem sujeitos da história em movimento com suas continuidades e descontinuidades inseridas num grande mistério do acaso, nunca revelado ou definitivo, mas sempre incerto…

  • Daniel Silva disse:

    Viver é um desafio. E o viver coletivo é um desafio ainda maior. Egos se inflamam, mas, também, mãos se tocam e se ajudam. Não há receitas para viver, mas, há nortes que deveriam ser mirados por todos.

  • Daniel

    Desafio sem ponto final.]
    abs

 

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