As impaciências históricas

Acumular ou desconfiar?

A história se tornou uma ciência, mas não deixou de conviver com as incertezas. Não poderia ser diferente.Analisar as relações sociais é compromisso de complexidade extrema. Como comparar as filosofias de Platão e Kant? Quem conseguiu colonizar os índios e provocar a escravidão sem praticar a violência? Há os que justificam os desmandos e traçam narrativas repletas de desigualdades colhendo provas, juntando documentos. Naturalizam, não se lançam no confronto das metodologias e consolidam a voz do poder. Esquecem-se das ambiguidades.

A história é uma pássaro que voa com dificuldade para encontrar seu ninho. As guerras aparecem de forma assassina com a ajuda de quem domina a riqueza. É preciso cuidado para articular cada verdade. Não há dogmas. As revoluções do século XX são marcadas por autoritarismos que confundem os projetos de governo. A burguesia prometia liberdade, queria outro mundo e terminou sofisticando o capitalismo e testemunhando a concentração de bens materiais. A lucidez existe ou se esconde nos cinismos fascistas?

A sociedade humana não cessa de fabricar desejos e inventar armadilhas. As surpresas se esticam.As pandemias montam estragos na modernidade e globalizam os desastres ecológicos. As reflexões variam e as lutas possuem cores. Marx anunciou a montagem das classes sociais, Hitler perseguiu os judeus, Franco fez aliança com o catolicismo. Não surgiu uma sociedade que espalhasse harmonia e desfizesse as violências. A ordem armada invade as culturas de forma constante.Pergunta-se então como compreender a história? Existe um choque de concepções.

Freud salientou as pulsões de vida de de morte. Nietzsche não perdoou os valores que circulavam na sua época. Stálin não abandonou suas ambições e foi cruel com os inimigos. Cantam a felicidade, mas ela se transformou num mercado.Os objetos atraem e a fraternidade se fragiliza.Nem por isso, o historiador desapareceu. Conhecer as contradições, desnudar as mentiras, aprofundar as relações do saber com o poder e analisá-las.Nem tudo pode ser decifrado.porém pensar, sentir, entrar nas perplexidades é necessidade urgente.

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