As incertezas reconfiguram o tempo

 

Imaginar nos tira muitos pesadelos. Não significa que estamos ausentes dos medos, quando viajamos por mares desconhecidos. No mundo da invenção , aparecem também monstros. Não basta afirmar que o mundo seria outro se predominasse a exatidão. Os enganos vencem qualquer possibilidade de certeza. Por isso, há desmantelo que não é constante, no entanto surge misturando afetos. Queremos a salvação como crentes fanáticos, embora curtamos racionalismos e celebramos as linhas futuristas.

Especular é uma palavra de muitos significados. Gosto de especular sobre o tempo. Não tenho muita  praticidade. Sou das navegações. Intriga-me como o passado se multiplica, de repente, firmando instantes, traçando mitos sedimentados. Há lembranças que perturbam. Ficam escondidas. Talvez, Freud as conheça ou pretenda submetê-las às agonias dos juízos finais. Atiçando a especulação, o que significa viver num presente espremido pelas as assombrações do futuro?

A sensação de uma ordem transcendente deixa vestígios em todas as culturas. Estamos num meio do pragmatismo, cercado de técnicas e burocracias, mas sem abandonar as cores das fantasias. É difícil quantificar o que seria a leveza de uma sociedade sem desigualdades, com seus navios mergulhado num cais iluminado. Quem especula desafia as sombras ou pouco liga para as acrobacias dos tempos? Restam adivinhações ou os sonhos possuem metáforas inquietas e indecisas?

Quando se afirma que a história é uma invenção social não se quer garantir um destino. Há muitas pedras no meio do caminho e abismos que interrompem ousadias importantes. Nossa época elege a eficiência, não deixa de polemizar sobre os custos e os benefícios. Não escapa, porém, dos escândalos. As corrupções se renovam fragilizando possibilidades de retomar utopias. Corporações decretam falências cheias de mistérios. Há golpes sofisticados que desfilam, até mesmo,nas redes sociais.

Quem dirige os governos sentem que o descrédito aumenta. As fronteiras entre o público e o privado não possuem seguranças. Há consultorias, especialistas em sondagens nas bolsas, acordos econômicos que agudizam a miséria e incentivam as guerras. A indústria armamentista não cessa de mobilizar tropas, simular ofensas, mostrar espetáculos nas polêmicas vazias da ONU.

A história segue tentando qualificar a geometria do tempo. É difícil, se o lucro dá o tom , inclusive, das sinfonias políticas. O crescimento da população e a escassez da recursos não são conjeturas. Mas os projetos se alargam no culto ao individualismo. Não adianta estimular tantos saberes, se eles também se balançam nas bolsas de valores. Não é pessimismo. O drama é constante, contudo há quem estenda seus poderes e acumule sofrimentos para especular o preço da felicidade.

Não é novidade que o império das mercadorias movimenta a história. Muitos encontram a solução na permanência das disputas, porém não negam que é preciso sonhos. Já que a verdade não é amiga da certeza, restam páginas escritas que alimentam teorias, aparentemente, coerentes. Não há como consolidar sossegos. O tempo vai,não é o sinal do fim, mas de esquizofrenias e descontroles. Os desenhos de fugas existem, faltam lugares e reinvenções que diluam o utilitarismo. Duvida?

 

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