Os perfumes do Brasileirão:inquietações da vida

O Brasileirão é um campo aberto de experiências e de surpresas. Quando se diz que o jogo faz parte da vida, muita gente corre para criticar. A cultura não cessa de trazer novidades e não, apenas, nas reflexões científicas. Observar o que acontece no cotidiano nos ensina e nos ajuda a sair de situações complicadas. As repetições incomodam, mas acontecem sem explicações satisfatórias. Estamos cercados dos fazeres do mundo contemporâneo que reclamam interpretações.

O  futebol não foge das idas e vindas. Não tem lugar fixo. Mas o que permanece para sempre? Existe algo imutável, completo, absoluto? Talvez, a afirmação de errar é humano seja forte demais ou não é saudável pensar o erro como pecado. Falhamos e não é pouco. Quando nascemos, a morte já está se preparando para dar o bote. Surgem doenças, remédios, psicoses, ilusões, porém a produção é inesgotável. É impossível nomeá-la.

Nem tudo é caminho de angústia, nem tampouco a certeza se estende nos sentimentos e reflexões de forma definitiva. As sinuosidades dos jogos são constantes, por estarem no contexto da cultura, dialogando com a vida. Veja o caso do Ceará. Começou firme e arrasador. Transita por  num labirinto perigoso. E o Fluminense empatando com o Flamengo, sem aquela categoria que o acompanhava antes ? Contrastes, aparentemente, sem sentidos. O Corinthians mantém sua forma, mesmo sem o versátil Ronaldo.

Estamos passando do meio do caminho do Brasileirão nas suas séries A e B. Não haverá sossego. São Paulo e Palmeiras assumem estratégias de jogo lentas, sem criatividade. Felipão não consegue justificar seus 700 mil reais. É muita grana, para liderar um time sem talentos. Fica aflito. Os técnicos estão sempre na corda bamba. Duas derrotas seguidas geram desconfortos e ameaças. A torcida quer  as vitórias, no futebol, que o cotidiano nega na sua dureza.

Dramas e tramas. O Sport deslancha, com Geninho, o Atlético de Minas se desmantela, com Luxemburgo. Há atitudes de otimismo, vaidades expostas, hesitações no comando. O caso de Neymar rola. Montou-se um grande tribunal. O Santos terminou demitindo Dorival, o técnico insatisfeito com as travessuras do garoto. A sociedade fica intranquila com o comportamento das suas estrelas.Os valores tradicionais se desmancham com qualquer sopro mais forte.

Não custa atiçar a curiosidade. Nas mínimas ações, exibem-se detalhes valiosos.  A vida não se desenha com uma única geometria. Cuca, técnico do Cruzeiro, sofria, em 2009, críticas da imprensa. Hoje, seu time desponta como um dos favoritos. Joel Santana desenganou-se com a Copa do Mundo, mas levanta o Botafogo com autoridade e alegria. Não faltam exemplos que desnorteiam os parceiros das mesmices ou os alérgicos às mudanças.

O Brasileirão vai, ainda, desestabilizar muitas profecias e refazer muitas manchetes. Lembra as pequisas eleitorais. Quem vende verdades indiscutíveis perde-se na arrogância que se depedaça com o ritmo do tempo. A vida é sonho, fantasia, ludicidade, desinvenção. Nas coisas consideradas monumentais,  as vacilações, também, se encontram. Os olhares, de cada um, se lançam por muitos esconderijos, perfumados ou não.

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2 Comments »

 
  • Rafael disse:

    Por isso que não deixaremos nunca de ser o melhor futebol do mundo. Como é rica e apaixonante a “biodiversidade” futebolistica, com suas quebras de regras e paradigmas.
    Texto belíssimo e instigador!
    Abraços

  • Rafael

    Grato pela visita e comentários. Realmente, bom futebol não falta, só mais equilíbrio e transparência para tudo andar bem.
    abs
    antonio paulo

 

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