As memórias assanham dores ou escondem trapaças?

 

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As interpretações históricas atiçam reflexões. Não são uniformes.  Multiplicam as fantasias ou requerem cuidados com a objetividade. Um debate complexo que nos remete a muitas armadilhas. Quem consegue abraçar os sentimentos que andam pelos nossos corações? Quem critica as ações totalitárias? Quem celebra as rebeldias como encantamentos superiores? Não há como definir as certezas e congelá-las. A busca da verdade incomoda, merece análise, inquieta e sacode a experiência. Hoje, vivemos cercados de dúvidas, porém mecanismos de manipulação existem, de forma quase opressiva. Produzem perplexidades, confundem lembranças, refazem enganos.

Atravessar a história sem observar as ambiguidades é um grande escorregão. Nada indica que houve sossegos perenes e dádivas indiscutíveis. Freud assustou-se com a violência humana, Marcuse tentou saídas para nos livrar da unidimensionalidade e Adorno se frustrou com os genocídios arrasadores. As mudanças esperadas não aconteceram,  facharam as portas da liberdade e inventaram censuras abrangentes. Fica a angústia de não compreender as razões de cinismos tão frequentes. Consulta-se a memória. As dores se formam e os pesadelos convergem para as distopias.

A história continua, com balas e governos de privilégios. Não há expectativa de desarrumar as violências, acabar com a miséria ou refazer as aventuras tristes dos refugiados. Temos que manter os afetos próximos, conversar, imaginar . Entregar-se ao desespero não resolve. O absurdo não se apaga.  Ha quem justifique a ação das milícias e quem se ache dono de poderes inacabáveis. Para isso, os disfarces sempre se ampliam. Observem como a imprensa se comporta, desfaçam os sensacionalismos e não apaguem a forca dos interesses. Há enigmas treinados e mesquinhos. Os desejos são múltiplos, nunca serão decifrados de forma absoluta. A incompletude é ninho que desampara.

O jogo da memória é ousado. Quem o domina não deixa vazio para criar argumentos que empurram para um abismo sofisticado. Mesmo que a obscuridade permaneça, quem domina sabe da importância de controlar as emoções. O sistema de propaganda e anúncios é gigantesco, adoece as memórias. Chegam as depressões, as bipolaridades, o medo de enfrentar uma noite na rua. Refletir não significa que a moradia da história é um lixo, mas lançar suspeitas, não fixar regras inabaláveis. Perpetuar espertezas? Fragilizar sonhos? Nunca se atrapalhe, pois as perguntas não cessam. A construção da história é inquieta como a rebeldia de Prometeu. Não anula as esquizofrenias soltas no mundo.

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1 Comment »

 
  • Rivelynno Lins disse:

    … não há respostas, a multiplicidade de perguntas só aumentam, é preciso aprender a lidar com a incerteza e o inesperado. Os interesses dos que chegam ao poder assim como os interesses que regem as pessoas ou a maioria delas mudam o tempo inteiro. Um programa de entretenimento como o Big Brother pode surpreender. Quando o ex-deputado Jean Wyllys participou dele pela primeira vez, o mesmo foi perseguido duramente pelos participantes por sua orientação sexual, mas foi blindado pelos telespectadores, hj a ganhadora do programa é acusada de racismo e outros preconceitos explícitos, porém surgiu como a grande favorita, tudo faz parte de um movimento incerto com rumos inesperados, estamos na vida e não temos mais nenhuma certeza de quase nada. Atualmente, Jean Wyllys encontra-se exilado no exterior devido a inúmeras ameaças de morte contra ele e muitas dessas ameaças deve-se ao ódio por sua orientação sexual…

 

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