A Copa, a mordida, o suspense, o inesperado

A Copa chegou acelerada. As profecias não conseguiram se aproximar do que está acontecendo. Surgiram manifestações de protestos, houve vaias, continuam as denúncias,  faltam obras, o inacabado testemunha desgoverno, mas a festa ganha corpo. Muitas contas são feitas com relação aos prejuízos futuros, enquanto os jogos se movimentam no reino do inacabado. A Espanha já se foi e a Itália voltou com todo seu charme. Surpresas sobram, além da grande quantidade de turistas vibrando e enchendo os estádios. Portanto, a Copa segue, apesar das fragilidades estruturais.

Os boatos são frequentes. Falam que o Brasil será campeão, ajudado por uma conspiração da Fifa. Cogitam que milhões circulam para conciliar os interesses. Parece que as articulações políticas dominam as acrobacias dos bons jogadores.Desconfio dessas conspirações. Elas teriam uma complexidade imensa que foge a minha imaginação. No entanto, a guerra das insatisfações não sossega. Os erros de arbitragem são comuns e isso estimula declarações agressivas e rivalidades.

A mordida de Suárez tornou-se a notícia mais badalada. As imagens da sua ação repetiram-se como um anúncio de uma margarina. É estranho que exista essa vontade de atingir o outro de forma antropofágica. Suárez não é um novo adepto das mordidas. Ela faz parte do seu repertório. Talvez, algum problema na fase oral. Uma consulta a um  psiquiatra poderia auxiliar? A Fifa o puniu rigorosamente. A polêmica estendeu-se. Até Mujica  se lamentou e o canto da vítima se espalhou nos bastidores.

É interessante como o futebol se transforma num espetáculo internacional. O fascínio do jogo é inegável e favorece ao sucesso na mídia. Apaga memórias e relembra nacionalidades. Tudo patrocinado, com a grana solta, influenciando atitudes, criando brigas internas em algumas seleções. Se as perdas se verificam e são reclamadas, os ganhos mostram que o capitalismo promove suas festas com sagacidade. As emoções afloram e visitam bares, apartamentos, arquibancadas, arenas.

É difícil medir a intensidade de uma movimento que apresenta tantas cores. Há expectativas que o articulam às próximas eleições de outubro. Muitos esperam que os resultados afetem a popularidade dos candidatos. Especialistas analisam estatísticas de outras Copas. Procuram certezas ou proximidades no território das adivinhações. A sociedade não vive sem celebrações, nem os divertimentos perdem de vista as multidões. No mundo das mercadorias a agilidade dos negócios estica o tempo e a conversa.

A seleção brasileira não começou com o deslumbramento que se esperava. Houve oscilações que alarmaram os mais pessimistas. Todos se sentem técnicos. O futebol tem suas academias instaladas em cada esquina. Os diálogos produzem conhecimentos e novas táticas são definidas. Estamos inventando ciências lúdicas e bem sucedidas. A seleção passou pelo Chile numa partida impressionante. Quem sabe não será o elo? O jogo não vive sem suspense, possui o desenho da vida. Por isso, traz sempre rascunhos de sentimentos inexplicáveis. É um abraço no inesperado.

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