As nações existem ou se intimidaram?

 

Resultado de imagem para nação

Ninguém discute que o capitalismo se expandiu. A globalização mostra que o mercado internacional se estreita e a cultura ganha uma massificação notável. Tudo gira na rapidez das comunicações, na ação das redes sociais, nas pressões constantes por novas tecnologias. O mundo entra na corrida, sem fim, para juntar capital, afirmar o reino das mercadorias. Ninguém, porém, nega que há resistências. Nem tudo testemunha o absoluto. Apesar das mudanças, há quem não veja com bons olhos os jogos diplomáticos e a sedução das propagandas avassaladoras. As agitações financeiras compreendem que a complexidade deve ser mantida, que a dúvida não se foi e atiça desejos.

E as culturas locais estão extintas? As identidades foram sepultadas? Há inúmeros tratados acadêmicos pesquisando o tema. Os refugiados circulam e lutam por lugares. A guerra simboliza a disputa pelo petróleo e a política aplica golpes tramados com sutileza. Muita coisa a ser decifrada, teorias soltas apostando nos azares das estatísticas econômicas. Não sou profeta das certezas. Quando aparecem os espetáculos gigantescos apela-se para que o amor à pátria seja retomado ou reanimado. Parece estranho. As grandes  multinacionais, incentivando particularidades, não perdem as articulações mais rendosas.

De repente, cada país assume uma máscara antiga. Ressuscitam-se hábitos e tradições. Será que a camisa amarela do Brasil não está contaminada? Como torcer se a corrupção habita em todos os negócios? Os jogadores  naturalizam-se. Os brasileiros querem  a bola, não importa o território da sua localização. Os hinos são tocados, os chamados trajes típicos vendidos. O mercado se acende para outros campos de exploração. Navega. Contempla tradições, observa os sentimentos, a busca história esquecidas. As invenções se multiplicam, porque é preciso que esconderijos disfarcem as emboscadas. O delírio faz parte das idas e vindas e a lojas se ornamentam para encantar clientes..

Volto e reafirmo que o capitalismo altera suas viagens, mas não perde seu ritmo. O futebol está colorindo o ritmo do divertimento. Não deixo de torcer pelo Brasil. Sempre andei atrás do futebol, sei que ele é objeto de lavagem de dinheiro. Há pausas para se curar raivas ou fermentar outras. O país se confunde nas artimanhas, cresce na forma de criar ilusões e sufocar a maioria. Infelizmente, o capitalismo não se intimida. Passa pelas academias críticas, desafia intelectuais que deliram com acumulação dos seus conhecimentos. A vitrine da vaidade não se resume aos espetáculos luxuosos. Há quem receba uma grana expressiva para relativizar as ações monopolistas e sacodem suas depressões para as farmácias da esquinas. Será que o Brasil é apenas Cunha, Cabral, Vargas, Jarbas, Collor? E nós?

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

3 Comments »

 
  • Rivelynno disse:

    …é uma crítica contundente a acumulação do conhecimento acadêmico, para que serve mesmo o saber? Será que é apenas uma exposição inútil da vaidade pessoal de intelectuais arrogantes? Quando eu terminei o meu mestrado, fiz questão de exaltar a minha pesquisa como um objeto de estudo voltado para os direitos humanos e as liberdades individuais do cidadão, nos agradecimentos, ressaltei o como foi libertador para mim poder terminar aquele trabalho. Ao ler o seu texto agora e a afirmação: “Infelizmente, o capitalismo não se intimida. Passa pelas academias críticas, desafia intelectuais que deliram com a acumulação dos seus conhecimentos.” Eu me pergunto para que serve uma “acumulação de conhecimento” que não atua minimamente na transformação humana do mundo? Serve para manter privilégios e desigualdades econômicas, políticas, culturais, sociais, individuais e assim volto a perguntar por que esse acúmulo de conhecimento não se volta para transformar o mundo globalizado em algo melhor, esse acúmulo de conhecimento inútil deve ser mesmo valorizado ou duramente criticado para servir a humanidade de forma significativa? Parabéns pela crítica, adorei o texto e a reflexão, realmente eu não gosto de futebol e em momentos de exaltações e sentimentos patrióticos corrompidos, prefiro o silêncio e a indiferença diante de jogadores e empresas capitalistas corruptas!

  • cláudio ferrario disse:

    ontem dormi durante o jogo da canarinha. sempre tive um estranho desinteresse com a seleção brasileira e olhe que adoro futebol. às vezes, fico pensando que depois descobriremos que o estávamos a viver por esses tempos nem era mais o capitalismo como se conhecia, o que queria, ao menos, os trabalhadores e trabalhadoras vivas e prontas para o trabalho. bom te ler, camarada.

  • Claudio

    Ainda torço, pois sou ligado no futebol. Mas há uma queda no ânimo. Tenho receio que tudo se esfarrape de vez.
    grande abraço

 

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>