As narrativas da violência, do sufoco, da ilusão

 

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A disputa não foge da história. Não há períodos de sossegos profundos. As inquietações mostram que o descontrole  é comum. Não é à toa que se inventaram as utopias. Houve épocas de otimismo ou de ilusões com relação ao futuro. A construção da cultura acena com conquistas. No entanto, as ambiguidades continuam imensas. Asseguram-se direitos, as tecnologias trazem mudanças, as esperanças acendem crenças religiosas. Mas permanecem incertezas. Vivemos em busca de alternativas que afugentem perigos, desfaçam conflitos, consolidem convivências afetivas. Sempre, há as polêmicas sobre a natureza do bem e do mal. A história não é uma espelho de imagens mudas. Portanto, não custa observar as dissonâncias, No mundo atual, práticas agressivas e uso da coerção ganham lugares especiais.

As relações de poder não cansam de tramar a existência de privilégios. Tudo isso não existe sem disfarces. É difícil denunciar, apontar os vestígios de atos escravistas ou racismos justificados por acadêmicos. Quem cuida da centralização do poder se alia com monopólios e gosta de cantar elogios aos seus projetos. Muitos jogam com estratégias que aprofundam as desigualdades. Querem diminuir a violência com a propagação do uso das armas de fogo. Confundem os totalitarismos com as ideias de Marx e prometem vencer a corrupção dentro do capitalismo. Não faltam acrobacias. Quem possui o controle político segue espalhando delírios. Encontram admiradores, refazem utopias e encobrem as armadilhas da dominação. Vendem-se planejamentos com discursos bem articulados e promessas de felicidade.

Se alguns decretam a morte de Deus, outros o ressuscitam. Antes as religiões criavam cultos de perdões, com força, para tornar a sociedade submissa. Enalteciam- se a compaixão e  a humildade. Hoje, as religiões se estruturam de formas midiáticas. Entram no mercado de consumo, constroem templos religiosos, formam líderes milionários e envolventes. Apesar dos saberes científicos, a dependência emocional sacode as franquezas e não se ultrapassam vazios. Existem as inúmeras síndromes que debilitam e aumentam as depressões. O mundo cheio de chips, com imagens fascinantes, sem contudo se livrar da violência. A própria linguagem mantém transtornos, simboliza desenganos, distrai para congelar insatisfações e perpetuar privilégios.

Não há como firmar profecias, porém é preciso multiplicar os encantos . Quem está atento? Há controvérsias, protestos, ataques. A cultura nos tirou de subordinações, inventando outras. As ruínas expõem as dificuldades. Narrar as aventuras é um ofício escorregadio. As interpretações envolvem sentimentos, sedimentam valores. As narrativas ganham complexidade e são indispensáveis. Elas movem lutas, apresentam-se suaves ou desenham ficções. É necessário divertir para esquecer. Tudo tem seu preço.  É impossível se visualizar a felicidades num mundo  cercado de explorações. Mas quem não deixa isso de lado para fixar suas ambições? A história se veste de movimentos, sons, cores. Os deslumbramentos cooptam  aqueles que sufocados ,pelo cotidiano ,sonham com o prêmio da loteria. As narrativas testemunham também acasos e absurdos. Como desmontá-las? E a memória será apenas esquecimento?

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