As palavras e as políticas : polêmicas acesas

 

Os debates e as conversas mudam e não se envolvem com ritmos permanentes. Muitas coisas vão e voltam, outras são esquecidas, mas não há com deixar de lado as  conversas ou mesmo multiplicar ansiedades em cima de um futuro problemático. O mundo cheio de gente e de invenções, com meios de comunicação poderosos, agita-se rapidamente. Quase tudo se torna passado sem que haja reflexões profundas. Simplesmente, a questão do tempo curto domina e submete qualquer vontade de esmiuçar as dúvidas.

Muitas expressões e palavras surgem para atender às incertezas do momento. Há desgastes e incompreensões. Na época que a política ferve, as amizades sofrem suspeitas, as competições ganham dimensões gigantescas. Nem sempre as análises superam as emoções ou os ressentimentos. Há quem dispense detalhes ou despreze teorias. Comporta-se movido pela paixão. Formam-se as torcidas e se arquitetam as arquibancadas. Inventam-se esconderijos e verdades dogmáticas.

Talvez, os sofistas gregos tenham razão: “O homem é a medida de todas coisas”. A história é longa para alguns ou um sonho passageiro para outros. Não estamos, no tempo, de discussões éticas demoradas. Há pressa. Buscam-se  definições e resultados.O êxito depende da agilidade em se escolher as palavras de ordem mais eficazes. Cada época constrói suas medidas, os discursos podem ser parecido, porém o jogo exige que se estabeleçam hierarquias e que memórias sejam demolidas.

Quem consegue festejar euforias promete domínio sobre as dificuldades. É difícil viver sem ídolos, mesmo que as decepções aprontem surpresas e descontroles. A complexidade não poderia estar ausente. Há diferentes formas de sentir e pensar. Não faltam grupos de estudos, reuniões, seitas, partidos, leituras cativantes que procuram decifrar a trilha do encontro e duma possível harmonia. Mas a história ajuda a especular e se incomodar com as verdades fixas. Flutuamos.

O movimento das relações sociais depende de muitos arranjos. Não adiantam certas terapias ou técnicas ressuscitadas dos tempos primordiais. Convivemos com as artimanhas do novo, soltos e inseguros, preocupando-se apenas com o brilho. Não cultivamos mais visitar espaços interiores. O reino do espetáculo atrai, anestesia, muda calendários. Dividimos a história em períodos, sabemos que somos mortais, contudo apelamos para instituições que prometem a eternidade. O sagrado e o profano estão na cultura e não apresentam sinais de desistência.

 

 

 

 

 

 

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>