As palavras mudam o mundo e contam as histórias

              

A linguagem tem sua história.Existe alguma coisa humana que não tenha sua história? É uma pergunta fatal. Talvez, alguém conheça o outro lado e surpreenda com uma descoberta. Pode ser. Não vamos bailar na ortodoxia dos oniscientes. As palavras mudam de lugar e de sentido. Na contemporaneidade, tão assaltada por invenções, os nomes surgem, na medida, em que muitos objetos ganham destaque. Novidades não faltam. O efêmero comanda tantas relações e penetra também no território da linguagem.

Quantas palavras apareceram depois da soberania da informática ? Elas estão no cotidiano, não fazem distinção de classes e, às vezes, duram meses. São deletadas e reformatadas. Exemplos sobrevivem, em todas as áreas, desde os estudos acadêmicos , passando pelas celebrações esportivas. O futebol tem um vocabulário imenso, antes devidamente influenciado pela língua inglesa.Hoje, possui autonomia e se consagra pela sua criatividade. A história corre e faz seus acordos com o passado, lança-se nos dramas dos tempos.

Mesmo com tantas imagens, as palavras não morrem, nem abandonam o dia a dia. Com a globalização, há  uma multiplicação de expressões que chegam a unifomizar certas culturas, antes diferentes. Trocamos idéias com pessoas de outros países, com frases que misturam nomes de origens seculares ou que acabam de ser fabricadas por uma propaganda de celulares. Os meios de comunicação não perdem oportunidade. São senhores de dicionários especiais que terminam sendo usados por todos.

Assim, não se pode negar que as palavras tem vida. Nunca esqueça de Macondo e de Garcia Márquez. Deixar que as linguagens não se modifiquem é um desmantelo cultural. Insistir para que elas se restrinjam é  perigoso. Viva, então, a abundância! Se a magia cresce e ganha formas, não sacrifiquemos as palavras, elas ajudam a decifrar as magias. O poeta não se  distrai com a mesmice. É capaz de refazer o mundo. Não duvide da força da linguagem de Drummond, Neruda, Baudelaire, Rimbaud, Bandeira e tantos outros. Permita que a embriaguez dos sons de cada traço componha sua melodia e fertilize seus encantos.

O silêncio possui significados. Nem sempre, a comunicação exige palavras. Um toque, um olhar, um mão na cabeça falam. Omitem o som, mas não desprezam a mensagem. Talvez, um maneira de esconder os sentimentos. Portanto, não vamos triturar os desejos. Cada momento traz sensações que precisam ser traduzidas. Nada mais danoso para sociabilidade do que a estranheza diante da sensibilidade do outro. Podemos não entendê-lo, no entanto fugir das suas intenções,  quebra o traçado que liga as indentidades e os seus espelhos. Como diz o poeta, de tudo fica um pouco.

A leitura do mundo é construtora das histórias que circulam. As experiências existem para que sejam divididas. Por isso, a importância das narrativas. Elas atravessam séculos. Repetem-se com outros sentidos, dando resposta às angústias de cada tempo.  A necessidade da palavra não apaga a força do gesto, nem tampouco desmancha a abertura do sorriso. No meio de tantos significados, não custa visualizar a diversidade e se vestir com os seus entrelaçamentos. A respiração segue o ritmo das interpretações possíveis e inevitáveis.

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2 Comments »

 
  • Flávia Campos disse:

    Belas palavras, Rezende! Um texto lindo de viver!
    O poeta superou o filósofo, o filósofo superou o historiador e a essência do jovem ressurgiu com toda força…
    Melhor não tentar decifrar as narrativas para não perder a magia…
    Acreditar no ritmo da respiração e se render a abertura do sorriso!
    Permitir a embriaguez dos sons de cada traço.
    Deixar se embalar por uma melodia fértil de encantos.
    Ou silenciar, quando o mistério é grande demais…
    ???
    (Isso deve ser responsabilidade da LUA CHEIA…será?)
    Abs
    Flávia

  • Flávia

    A inspiração da lua cheia é boa para quem é canceriano. Quem sabe?
    Grato.
    abas
    antonio paulo

 

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