Chávez: as polêmicas, a morte, as expectativas

A morte de Chávez aconteceu depois de  expectativas e controvérsias. Há dúvidas sobre o futuro da Venezuela. Ele conseguiu  ter adesão expressiva da população. Tinha adversários teimosos em todo mundo. Não havia quietude. Quando alguém falava do seu governo respondia de forma polêmica. Num mundo com escassez de lideranças, Chávez não se afastou dos seus discursos longos. Construiu fama, assanhou a política, sacudiu as verdades dos donos do capitalismo, recebeu atenção internacional. Fez de Cuba, praticamente, seu refúgio, quem sabe pensando em se livrar da doença fatal. A vida tem seu fim, por mais que tentemos enganá-la.

Chávez surpreendeu, pois conquistou simpatias de quem se esperava inimizades. Prometia reverter a situação de desigualade com um governo voltado para os pobres.Mostrava-se favorável à socialização da riqueza. Acendeu análises intelectuais sobre a idolatria. As contradições o acompanhavam. Elas estão, contudo, em toda parte. É difícil conhecer a profundidade das notícias, dos preconceitos globalizados. A luta política tem mecanismos sofisticados utilizados com astúcia pelos meios de comunicação.Chávez é  um mito para muitos, um salvador, com sentimentos de religiosidade. Ele também foi acusado de populista e produtor de ilusões. Ocupou manchetes, recebeu elogios, escutou palavras agressivas, foi lembrado como exemplo  por Eduardo Galeano.

Não é novidade que tudo isso ocorra na contemporaneidade. Há figuras que reorganizam concepções de mundo. Há uma diversidade grande de caminhos. O mundo se fragmenta e se conecta. No entanto, os problemas continuam. Há quem prometa enfrentá-los e chegando ao governo central ganha vitrines. As crises não saem da história. Elas se radicalizam em muitos momentos. Não é à toa que se procuram redenções e paraísos. Chávez não dispensou sua força de persuasão. Seus opositores insistiram que ele era um malabarista da política e inventor de delírios.A morte de Chávez mostrou que sua passagem pela história merece atenção.

Teremos discussões, artigos de jornais, tese acadêmicas, desesperos dos mais fanáticos. O futuro se enche de profecias. Por onde anda o socialismo? Há condições de  retomar projetos? Os impasses são muitos, pois a complexidade não se esgota. Obama, em outro contexto, busca o mínimo e encontra resistências. Cuba vive mudanças. A história construiu uma modernidade cheia de encantos. As desigualdades, contudo, estão soltas, numa sociedade enfeitiçada pelo consumo. A ciência conquista espaços, mas não se liberta das dependências de poderes ambiciosos. Portanto, o mundo está aberto para convivências que surpreendem.

Tudo é muito confuso, os desamparos se estendem, as insatisfações tomam conta também dos que se julgam privilegiados. Quem tem a medida da felicidade? Quem sabe como as utopias podem garantir os sonhos? Como tantas incógnitas a história segue. Olhar para o passado e observar suas idas e vindas ajudam. Não dá para querer sossego definitivo. Há discursos de todo tamanho, mas resta a vontade de circular no meio dos limites. Conceitos antigos sobrevivem. Quem esqueceu os pecados e as culpas? Eles inexistiriam num mundo dominado pela sagacidade da razão? Lideranças surgem, promessas se alargam, necessidades  semse fabricam. Sempre há tempo para reflexões , sem abandonar as diferenças e as histórias recentes.

 

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2 Comments »

 
  • Elânia Nunes disse:

    É difícil encontrar um Chaves hoje em dia.

  • Elânia
    A figura de Chaves é realmente singular. Há muitas informações e dúvidas sobre suas ações. Mas ele balançou certas verdades e criou contrapontos.
    abs
    antonio paulo

 

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