As redes sociais reinventam a política

Há renovações no mundo da competição desenfreada do capitalismo financeiro. Não se trata de outra máquina refinada de exploração. O consumismo e o individualismo não anulam a vontade política. Criam impasses, enganam com suas armadilhas, vendem máscaras de luxo, mas nem todos submergem nos pântanos da ilusão. A história tem suas continuidades. Não podia ser diferente. Surgem, contudo, caminhos alternativos. Estamos longe de certos vícios iluministas. Há quem os condene e enxergue travessias mais ousadas. Existe um fluxo enorme de tecnologias no reino das comunicações. Ele se expande  em todos os sentidos. É campo de lutas e de escolhas.

O importante é ampliar os lugares de democratização. Descentralizar as decisões, exigir transparência, denunciar irresponsabilidades. Se o coletivo não se agita, a apatia não se desfaz e termina ritualizando comportamentos conservadores. Portanto, articular a política, com os poderes das invenções recentes, traz transformações significativas. Existe quem se incomode e procure limitar as ações de transgressão com censuras e autoritarismos. Observe como o governo da China trata a questão do uso da internet. Abala-se com as vozes descontentes. Prefere eliminar os adversários.

Outras culturas demandam outras saídas. Os discursos não se restringem mais aos modelos de manuais ou às páginas de jornais sensacionalistas. O mundo é veloz. As teclas do computador escrevem textos e enviam mensagens internacionais, aproximando, esvaziando a distância física, reformulando o conceito de fronteira. Todos são vizinhos. A conversa une, entrelaça sentimentos. Formam-se, então, grupos com fazeres distintos, mas preocupados com problemas semelhantes. Localizam-se protestos, conjugam-se forças, quebram-se impossibilidades. O tempo requer calendários que não se fixem, nem afirmem identidades imóveis.

Vestir cores partidárias  não é muito comum nessas andanças. Pretender firmar reclamações, apontar desmandos administrativos, buscar vestígios de otimismo, sair dos infernos arquitetados pelo caos urbano são ajudas provocadoras. Na luta contra a corrupção, as redes sociais movem pessoas que, antes, pouco se ligavam à política. Há contrapontos e oportunismos. Há mentes que não se soltam do século passado. É fundamental não esquecer as críticas e pensar como o novo dialoga com o já vivido. As linguagens deslocam-se, pedem metáforas atualizadas, desafiam verdades tradicionais.

Percebe-se uma fuga dos ritmos burocratizados. Eles entendiam, pois repetem palavras de ordem cansadas, jogando no lixo os debates e planejando manter cargos, desfigurando a ética. A  profissionalização  crescente da política protege hierarquias envelhecidas, em vez de questionar práticas que asseguram manobras cínicas e corporativas. Está atento às mudanças é acompanhar as possibilidades e não confirmar o valor de estruturas carcomidas. Os labirintos são construídas para serem explorados e instigar metamorfoses.

Recorde-se do que aconteceu no Oriente Médio. Não há certezas no ar, mas inquietações, desejos de não conviver com violências que alimentam  as minorias poderosas. A história não abandona o inesperado. Ele atiça ruídos e subverte. Obama preparou projetos para salvar os Estados Unidos da desorganização econômica, mas a corda continua bamba. Configuram-se situações que causam surpresas. Mesmo que haja um esquema sofisticado de dominação, ele nunca é absoluto. Quem pode abrir as brechas e fermentar solidariedades? Somos cidadãos do mundo. Para que servem a preguiça da omissão e o desencantamento generalizado?

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2 Comments »

 
  • Rafael Ferreira disse:

    Professor, realmente o mundo tecnológico é uma arma de grande poder nas mãos das pessoas, mesmo não sendo muito utilizada, ela é muito útil, pois se interliga a todas as pessoas e se bem utilizada pode movimentar uma quatidade significativa. O problema é a falta de iniciativa de muitas pessoas. A grande questão então, ao meu ver, é instigar os usuários desses meios a utilizarem essa oportunidade para tentar mudar algo.

  • Rafael

    Seria decisivo se as decisões fossem coletivas e não houvesse monopólios. Mas a política atual traça caminhos individualistas. Por isso, a rellexão é fundamenal. Animar o debate, com alternativas, longe da mesmice, merece atenção.
    abs
    antonip

 

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